Blog, Juventude e Política, Oportunidades, Rede Engaja ATENÇÃO: Isso não é uma simulação!

9 de outubro de 2020

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Quem já botou as mãos num jogo digital, com certeza, já apertou “reiniciar”, “voltar”, “reset” ou alguma coisa do tipo quando as coisas começaram a dar errado: um gol do time adversário, uma curva errada na última volta da corrida, um zumbi que apareceu do nada na tela… É meio chato ter que começar tudo de novo, né. Mas ainda bem que, nos jogos, a gente tem essa opção. 
No mundo real, a gente não tem botão reiniciar. Se as coisas começam a dar errado, a gente precisa continuar lutando — ou, então, se conformar em ver o mal vencendo. E vencendo… e vencendo… Bom, se você tá lendo esse texto, a gente acha que você não curte muito essa segunda opção, né? Então, vamos lutar. 

Claro que, para isso, a gente tem que se preparar. Vamos perder algumas partidas — isso é inevitável —, mas nós temos que entrar sempre para ganhar: para conseguir melhores condições para nossa comunidade, para tornar nossa cidade mais sustentável, para salvar nossos biomas, para conquistar um mundo com equidade de gênero… 
Com essas lutas, não tem “fim de jogo” ou reiniciar: o esforço é constante. E, de tempos em tempos, a gente tem umas partidas ainda mais importantes do que as outras: em 2020, por exemplo, é ano de eleições municipais. Se tem um momento em que a gente pode conquistar uma vitória e fazer a diferença, esse momento é agora. 
Então: é pensando nisso que o projeto ISSO NÃO É UMA SIMULAÇÃO foi criado.


Conhecimento virtual que prepara para o real

Como tá escrito ali em cima, para encarar os jogos do mundo real, a gente tem que se preparar. Por isso, uma das frentes de atuação do Engajamundo, em 2020, é a formação de jovens: com metodologias próprias, sensibilizamos os jovens para os desafios e apresentamos ferramentas práticas de ação. Assim, eles e elas podem atuar nas causas em que acreditam.

Uma das nossas formações participativa é o “Caminhos para a solução”, onde os participantes se despertam para problemas complexos da nossa sociedade e pensam em soluções criativas.

Mas, nesse 2020 maluco que a gente tá vivendo, tudo precisou migrar para a internet, né? Pois é! As nossas formações também. É aí que entra o projeto ISSO NÃO É UMA SIMULAÇÃO. 
Ele é uma maratona de conhecimento virtual, criada para preparar jovens para atuar no mundo real. Isso vai acontecer meio de encontros de aprendizado à distância, bate-papos com pessoas convidadas muito especiais, envio de ferramentas práticas de ação e muito mais. 

São quatro fases, como em um jogo virtual: a cada fase, você recebe mais conteúdos para transformar sua ideia em projeto e mais ferramentas para colocar seu projeto em prática. Se você passar pelas quatro fases de ISSO NÃO É UMA SIMULAÇÃO, você já conquistou uma vitória: se preparou para lutar pela causa em que você acredita, no mundo real. 

Ok! E como isso vai funcionar?

Agora que você já entendeu a teoria, vamos para a prática: como vai funcionar ISSO NÃO É UMA SIMULAÇÃO? Para começar, quem quiser participar tem que se inscrever nesse link aqui.
Se inscreveu? Ótimo! Os inscritos vão participar de quatro encontros virtuais no YouTube, onde vamos falar das ferramentas mais importantes para você analisar problemas, entender quais são os atores envolvidos nele, como propor soluções efetivas e como colocar ações em prática. 
Além disso, vamos compartilhar muito conteúdo extra no Insta. Então, se você ainda não segue o Engajamundo no insta, faz isso já: www.instagram.com/engajamundo/ No insta, também vão rolar bate-papos super legais com convidades especiais, que vão ajudar a ampliar nossa visão sobre os temas dos encontros de aprendizado. Esses bate-papos serão abertos para todo mundo que segue a gente, então pode divulgar pro pessoal. 


Tudo isso começa logo depois do feriado, no dia 13.10, às 19h, com o primeiro bate-papo no Instagram. A convidada é nossa parceira Raíssa Ferreira, da CLUA (Climate and Land Use Alliance). A gente vai apresentar o tema principal que vai guiar as quatro fases do aprendizado e discutir um pouco sobre ele. 

É um tema BEM importante e, se você quer saber mais, cola lá no @engajamundo. Ah, e se inscreve na maratona de conhecimento. É um formulário bem facinho de preencher, em dois minutos você tá dentro. ISSO NÃO É UMA SIMULAÇÃO é grátis, é online e vai ser incrível! A gente conta com você pra vencer esse jogo. 



Não categorizado Engaja na CSW68 – Comissão sobre a Situação das Mulheres

20 de fevereiro de 2024

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E o próximo destino é Nova Iorque! Em março estaremos embarcando para os Estados Unidos, para participar da CSW, a Comissão da Situação da Mulher, e viemos compartilhar um pouco sobre como isso vai acontecer.

Para quem não é tão familiarizado com a história do Engajamundo, essa, que é atualmente a maior Organização de Jovens Ativistas do Brasil, nasceu em 2012 com a intenção de aumentar a participação e a incidência de jovens brasileiros nas conferências internacionais socioambientais. Nesses mais de 10 anos de história, continuamos a atuar localmente, nacionalmente e internacionalmente, tendo vários momentos marcantes que mostram o que as juventudes podem fazer quando se mobilizam e tem espaço para isso. Um desses casos aconteceu na COP28 (Conferência das Partes sobre Clima), no final de 2023, e agora em março, é a vez de levarmos uma delegação para participar da CSW 68. 

A CSW (Comissão Sobre o Status da Mulher – Commission on The Status of Women) foi criada em 1946 como comissão funcional do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU (Organização das Nações Unidas), e é o principal organismo intergovernamental mundial dedicado exclusivamente à promoção da igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres. Em março de 2023, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse à Comissão sobre o Status da Mulher, que a igualdade de gênero ainda está “a 300 anos de distância”, de acordo com as últimas estimativas da ONU Mulheres. Este contexto torna essa conferência um espaço de oportunidades únicas para o ativismo do sul global, para que se mudem os rumos das negociações relacionadas ao progresso em direção à equidade de gênero. Entre 11 e 22 de março de 2024, vai acontecer a 68° edição da CSW, na sede da ONU, em Nova Iorque, tendo como temas centrais: a concretização da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, combatendo a pobreza e fortalecendo as instituições e o financiamento com uma perspectiva de gênero, e achamos essencial a participação de juventudes brasileiras nesse debate. 

Não é a primeira vez que o Engajamundo se coloca para participar dessa Comissão, já estivemos por lá outras 4 vezes, em 2016, 2019, 2021 (virtualmente) e 2023. Esse ano, o Engajamundo irá levar uma delegação de 5 jovens mulheres, das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país, buscando carregar diferentes perspectivas brasileiras para esse espaço, contribuindo assim com as discussões, fazendo novas conexões com ativistas da América Latina e fortalecendo nosso trabalho diário por melhorias e avanços na agenda de gênero no Brasil e no mundo. Infelizmente, ao contrário de outras Conferências, a CSW ainda é um espaço restrito à participação da Sociedade Civil, – especialmente do sul global, onde a desigualdade já é experienciada diariamente pelos grupos mais afetados pela disparidade de gênero -, mas de extrema importância para o debate e para o enfrentamento à os retrocessos que sempre estão à espreita quando se fala na construção dessa agenda, e é por isso que a delegação do Engajamundo se coloca para ocupar esse espaço. Nós trazemos ideias que podem descentralizar o debate do norte global, trazendo para o centro das discussões os territórios brasileiros e as soluções já colocadas em prática em cada um deles, buscando reconhecimento de suas realidades e contextos no debate a nível internacional.

Comprometidas pela pauta da justiça social voltada para equidade de gênero, nosso objetivo é incidir como juventude brasileira em agendas de debate da CSW 68, através de estratégias de Comunicação e Advocacy. Para isso iremos comunicar as demandas, denúncias e propostas das juventudes para enfrentar as desigualdades de gênero não só no Brasil, mas também a nível global, e construir caminhos possíveis para criar soluções com base na justiça social. Assim, a delegação do Engajamundo tem três agendas como enfoque principal de incidência: a agenda de Igualdade de gênero e empoderamento de mulheres, por ser uma pauta central na edição do ano de 2024, ainda mais quando olhamos para o contexto de desigualdades do nosso país; Sistema de proteção social e combate à pobreza, levando narrativas de justiça territorial e a necessidade de proteção das mulheres e fortalecimento dos seus direitos cívicos, como por exemplo a criação da Lei Maria da Penha; e a agenda das Juventudes brasileiras, por ser necessário a inclusão da juventude brasileira para assegurar a representatividade e diversidade nas discussões sobre equidade de gênero, garantindo soluções que reflitam a pluralidade cultural local de cada um.

Para acompanhar tudo isso, é só nos seguir nas redes sociais do Engajamundo! E se sentiu interessado em ajudar essa delegação a chegar em Nova Iorque, você pode contribuir na nossa vakinha neste link!

Clima, Juventude e Política Posicionamentos que levamos para Glasgow – COP26

12 de novembro de 2021

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Se você acompanhou até aqui a conferência de clima da ONU, a COP26, viu que uma das atividades do Engajamundo nisso tudo, era ter reuniões com tomadores de decisão do Brasil. A gente acredita que para mudar todo esse panorama, a gente precisa de todos os atores envolvidos. E como não é todo dia que a juventude pode sentar com um deputado ali, com outro governador ali… foi aproveitar esse espaço pra que discussões importantes acontecessem com quem estava aberto, mas também que compromissos fossem estabelecidos.

Se você conhece o Engajamundo a pouco tempo, talvez ainda não tenha ouvido ou entendido, o que afinal chamamos de ‘lobby‘. Carinhosamente chamado aqui de lobby do bem. Afinal, o lobby que é mais famoso por aí, é um sujo e que nos preocupa. Grandes empresas tem feito essa atividade para garantir que seus interesses sejam aprovados e mantidos. E todo problema, meus caros e caras, está ai! Como a gente não consegue acessar esses lugares, ou porque não fomos ensinados de como podemos acessar esses atores para mostrá-los porque determinadas pautas são importantes para a população e com argumentos trazê-los pro nosso lado, cada vez mais se instaura um oceano entre sociedade civil e poder público, e não conseguimos influenciar efetivamente. Enquanto isso, os negócios fósseis (literalmente e simbolicamente) seguem seu percurso mudando o curso de diversas decisões. Por isso precisamos também nos inteirar dessa atividade e entender como juntos dialogamos, pressionamos e construímos.

Interessante né. Por isso queremos dividir com vocês também, o que foi afinal levado e defendido pelo Engajamundo esse ano a partir desse lobby. Com isso apresentamos nosso “Bullet Points” ou em bom português, os Posicionamentos e Propostas do Engajamundo em relação aos temas de negociação da COP26. Esse documento carrega as considerações, posicionamentos e propostas da delegação para os membros interessados participantes na COP26 em relação a inclusão de perspectivas de justiça climática nos temas de negociação da Conferência, cujos temas incluem Aumento da Ambição Climática, Regularização de Mercados de Carbono, Adaptação e Mitigação, Perdas e Danos e Resiliência Climática, Financiamento Climático, entre outros.

As narrativas são concentradas em discutir com diversos setores, do internacional ao nacional, enfocando-se principalmente no diálogo com os Atores Subnacionais (compostos pelos governos municipais e estaduais, universidades e setor privado) a partir do protagonismo que os mesmos têm ocupado na pauta climática, assim buscando encontrar pontos de convergência para inclusão das demandas da sociedade civil/grupos de juventude em seus posicionamentos.

Boa leitura e chama a gente para conversar aqui nos comentários ou no instagram, pra qualquer dúvida ou continuar o papo 😉

Posicionamentos e Propostas do Engajamundo em relação aos temas de negociação da COP26

Considerando que os Temas de Negociações da COP26 giram em torno de:
– Regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris (mercados e créditos de carbono);
– Financiamento climático para ações de adaptação, mitigação e resiliência climática (mantimento ou aumento do valor combinado em U$100 bilhões);
– Implementação de planos de Transição para a década verde (carbono-neutralidade, Net-Zero) e recuperação econômica verde pós pandemia;
– Fortalecer os compromissos de NDCs para aumentar ambição climática multilateral à curto prazo (2025 e 2030) e longo prazo (2050);
– Common time frames – período de cobertura das NDCs;
– Transparência, Adaptação e Perdas e Danos;

Ao Brasil:
– Que regule os mercados de carbono, evite dupla contagem e science based targets e apresente uma revisão de sua NDC para que cumpra com a ambição climática;
– Que demarque terras originárias e tradicionais e áreas de preservação, fortalecendo a legislação ambiental e os órgãos de monitoramento e fiscalização, visando a preservação das florestas em pé e a proteção dos direitos humanos;
– Que desenvolva propostas para desmatamento zero, ilegal e legal, até 2025;

Aos atores subnacionais:
– Governos subnacionais protagonizem ações de adaptação dos planos de
neutralidade de carbono e desenvolvimento sustentável de acordo com as
necessidades e especificidades de cada bioma e região;
– Que implementem um plano de desenvolvimento urbano sustentável com áreas verdes e reconheça a necessidade de erradicar as desigualdades socioeconômicas a fim de proteger as populações mais vulneráveis à crise climática;
– Cidades carbono neutro até 2025, implementando infraestrutura sustentável de adaptação, mitigação e desenvolvimento;
– Estabelecimento de Compromissos Sub Nacionalmente Determinados (‘SDCs’) alinhados com a NDC buscando aumentar a ambição da mesma e determinar metas e planos que sejam condizentes com a necessidade de cada região/bioma, buscando cooperação e desenvolvimento regional.

Clima, Juventude e Política, Rede Engaja Alerta Ativismo! “Missão (im)Possível” para Kátia Abreu na COP26

9 de novembro de 2021

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Hoje, dia 09 de novembro, enquanto a delegação brasileira do Engajamundo encontrava na COP26 a Senadora Kátia Abreu, presente em Glasgow a serviço da agenda da delegação oficial do governo brasileiro, foi necessário marcar o momento com um “presente”, com uma mensagem muito nítida. As juventudes tem uma missão para ela, jus a quem diz estar ao lado das florestas.

A senadora estava acompanhando o painel de abertura do Dia da Indústria, no pavilhão oficial do governo brasileiro no evento que contou com a presença do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, do Vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marcelo Ramos e o atual Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. 

Após esse momento, entregamos para a Senadora Kátia Abreu uma caixa preta, mas diferentes dos filmes de espiões, entregamos uma “Missão (im)Possível”. A missão possível (e necessária) é barrar o Projeto de Lei 2.159/2021 que ela é relatora, e o qual não teve diálogo com a sociedade civil, sendo considerado por cientistas e especialistas como um extremo retrocesso.

Uma das jovens indígenas da delegação que entregou a caixa, conversou brevemente com ela sobre as implicações do PL na vida dos povos indígenas brasileiros. O objetivo da ação dos jovens foi chamar a atenção da senadora sobre as implicações negativas de sua aprovação da maneira que está.

Mas o que é a PL 2.159/2021?

O Projeto de Lei em questão, o PL 2.159/2021, conhecido como o “PL da Boiada” ou o “pai de todas as boiadas”, na prática, se for aprovado vai acabar com o principal instrumento de proteção ambiental da sociedade brasileira: o licenciamento ambiental. Como relatora do PL nº 2.159/2021, a Senadora Kátia Abreu é a principal responsável pelo texto que será votado no Senado sobre a Lei Geral do Licenciamento, o que provavelmente deverá acontecer logo após o encerramento da COP26. Seu relatório, então, tem importância fundamental porque será a base das votações que ocorrerão, primeiro, nas comissões de Meio Ambiente e Agricultura e, depois, no plenário. As principais decisões políticas no Senado (sobre o texto) serão dela.

Senadora Kátia Abreu rejeita a missão que lhe foi entregue, mas paradoxalmente, diz que nada será feito contra Amazônia

OBS: No vídeo da ação, a senadora Kátia Abreu após a foto feita com a entrega da caixa preta, ela fecha a caixa e deixa de volta nas mãos da delegada do Engaja que participou da ação, consideramos que isso sinaliza a postura dela sobre o pedido que fizemos – de aceitar a missão dada pela juventude brasileira, de barrar o PL 2.159/2021 o qual ela é a relatora.

Rede Engaja Qual Utopia você imagina antes de dormir?

18 de outubro de 2021

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Por muito tempo, jovens ativistas (sobretudo da região amazônica) vem sonhando com uma realidade utópica caracterizada pela não-violência. Ora essa realidade é palpável e construída com muita garra, ora distante e carregada de medo. Mas por aqui, há um impulso forte que os dá força. Este estaria na na comida cotidiana cheia de temperos? Ou na chuva da tarde que cai todo dia em Belém do Pará? Mas em um dia ensolarado, o edital Ativando Utopias os permitiu expressar tudo que estava guardado em suas mentes férteis. 

Antes, precisamos falar sobre maniva…

Maniva: folha da planta da mandioca; usa-se na alimentação da região Norte, especialmente no Pará.

Receita indígena que compreende um ritual de preparo, para enfim, ser degustada. A maniva precisa ser cozida por sete dias para retirar totalmente o ácido cianídrico da folha, por ser altamente tóxico e letal. Uma verdadeira obra prima de sabores e ancestralidade.

E o que isso tem a ver com ativar utopias?

A ideia do projeto “Receita de Maniva: Programa de Ativação ARTEvistas em Belém” surge da necessidade de atuação da população sobre o próprio espaço, sobre as próprias raízes, enquanto trabalha com as formas de expressão de jovens voluntários sobre a valorização do meio ambiente, do patrimônio cultural e das raízes históricas da Metrópole da Amazônia, através de produções artísticas que comuniquem o ativismo regional.

E como toda boa receita, requer um passo-a-passo, um modo de preparo, os ingredientes e claro: se tratando de maniva, dias de cozimento.

Assim se fez, 15 jovens foram em busca de a(r)tivação, se encontrando em ideias, se aproximando em dores e mazelas da cidade e se consolando em risos de acolhimentos e muita coragem. Nesse processo, aconteceram dois nascimentos: uma exposição itinerante sobre ativismo regional e um mini-documentário.

O mini-documentário estrelando os voluntários ativistas da rede Engajamundo do núcleo local de Belém, gravado em setembro, na ilha de mosqueiro, durante um processo imersivo de formação, criação e alinhamento do grupo, trouxe falas sobre o agir localmente e o que é o ativismo. O vídeo na íntegra pode ser conferido aqui.

Já a exposição foi mão na massa. Árdua e poderosa. Que deu origem ao que hoje a gente chama de receita pronta.

A exposição possui algumas seções, que tratam o ativismo como um objeto palpável, trazidos em formas de retratos cotidianos e sentimentos aflorados durante a construção do ser ativista.

Questões de gênero, recorte social, precariedade da cidade, violência, dialeto e afins, foram pintados e talhados a mão por pessoas que sentem na pele o vibrar da cidade.

As exposições estarão de maneira itinerante em algumas galerias e espaços colaborativos em Belém.

A primeira aconteceu dia 16 de Outubro, na Kasa Maguari, pela parte da tarde.

Fique ligado! O restante dos locais de exposição pode ser conferido nas redes oficiais do instagram @engajamundo

Patricia Richter

Não categorizado LGBTQIAP+ e Justiça Climática: intersecções urgentes!

28 de junho de 2021

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Anne Heloise Barbosa do Nascimento

Articuladora do GT de Gênero do Engajamundo e Membro da Ação Feminista para a Justiça Climática da ONU Mulheres.

Imagem da capa Patricia Richter

Para ter essa conversa, primeiramente, precisamos deixar bastante evidente que a luta pelo clima envolve pessoas, ou seja, ela tem uma dimensão social, para além de todas as questões e dados científicos que permeiam a pauta. Desse modo, se o meio ambiente está em desequilíbrio, alguém está sofrendo com isso. Na maioria das vezes, esse alguém se constitui de uma pessoas socialmente vulnerável, pertencente a alguma(s) minorias sociais. 

A partir desse contexto, podemos afirmar que a crise climática atinge em cheio a comunidade LGBTQIAP+. Como exemplo disso, é possível citar as pessoas pertencentes a ela que estão em situação de rua. De acordo com os relatores da Organização das Nações Unidas (ONU), ‘’a população LGBT está mais presente nas ruas que a população não-LGBT’’. Essa incidência muitas vezes se dá entre jovens, os quais são alvo de  rejeição familiar e discriminação no ambiente escolar. 

Uma vez na rua, essa camada da sociedade está vulnerável aos mais variados tipos de violências, bem como ao abandono educacional. Segundo a Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe), 46% dos LGBTQIAP+ que vivem nessas condições já foram barrados em lugares públicos, já os heterossexuais representam 30% deste índice. Porém para, além disso, essas pessoas também se encontram sujeitas aos grandes desafios climáticos do nosso tempo, como a alta da temperatura, bem como períodos frios, poluição, falta de saneamento,  deslizamentos de terra, entre outros problemas típicos da (falta de) organização de nossas cidades. 

De acordo com a organização EmpoderaClima, durante o furacão Katrina em 2005, pessoas trans enfrentaram discriminação em abrigos de emergência e algumas foram até mesmo rejeitadas nos estados americanos de Mississippi e Louisiana. Já no terremoto haitiano de 2010, pessoas e famílias LGBTQIAP+ ficaram vulneráveis em abrigos e lésbicas, mulheres bissexuais, transgêneros e intersexuais foram sujeitas à violência de gênero e ao “estupro corretivo”. 

Foram pesquisados dados sobre pessoas LGBTQIAP+ e grandes desastres ambientais brasileiros, como Brumadinho, Mariana e os frequentes deslizamentos de nossas encostas durante o inverno, porém, aparentemente, essa informação não é coletada, ou publicizada, pelo poder público, o que contribui para a marginalização e precarização da vida desses indivíduos. 

Por tudo exposto, entende-se que o maior desafio do movimento climático atual é quebrar essa rotina de silenciamento e incluir, dar espaço e visibilidade, para que essas vozes exponham a sua luta e a sua história. Desse modo, a justiça climática precisa ser compreendida como espécie do gênero de justiça social, a qual deve ser construída por diversas mãos, de forma a trazer aqueles que estão na margem para o centro. 

Texto feito em homenagem ao jovem Lindolfo Kosmalski, de 25 anos, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), morto em 03 de maio de 2021, vítima de homofobia.

Referências

Discriminação aumenta risco de jovens LGBTI irem morar na rua, dizem relatores. Organização das Nações Unidas (ONU). Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/83940-discriminacao-aumenta-risco-de-jovens-lgbti-irem-morar-na-rua-dizem-relatores. Acesso em 20 jun. 2021

MENEZES, Everton. Por um triz: o drama dos LGBTs em situação de rua na maior metrópole do Brasil. Yahoo. Disponível: https://br.noticias.yahoo.com/drama-lgbts-situacao-rua-sp-070057113.html?guccounter=1&guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&guce_referrer_sig=AQAAAGDVUQXvXaM3zSkC3CQToUU-boKvFGYVH43Oi9KXBXKzZjREnkXYsMSKkfXhayUcmQq_0nX9T1eT3DYIOjxuFZgiU4QUWLsK0QrKj-f7jm9_DOvvuYGKjADFhDBGFqs51N2tetAt6nfZYhRLSGshwJ1vzj5IRVz1Kra5Ggawl5sZ. Acesso em 20 jun. 2021

IGLESIAS, Luis; HOLLAND, Ruth. Por que as Mudanças Climáticas são uma questão LGBTQIA+?EmpoderaClima. Disponível em: https://www.empoderaclima.org/pt/base-de-dados/artigos/mudancas-climaticas-lgbtq. Acesso em 20 jun. 2021.

MENDONÇA, Ana. Corpo de ativista LGBT ligado ao MST é encontrado carbonizado. Correio Brasiliense. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/05/4921982-corpo-de-ativista-lgbt-ligado-ao-mst-e-encontrado-carbonizado.html. Acesso em 20 jun. 2021. 

POLÍTICA DE PRIVACIDADE

Rede Engaja POLÍTICA DE PRIVACIDADE

21 de abril de 2021

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Última atualização: março de 2021. 

A Associação de Jovens Engajamundo (“Engajamundo”, “Engaja”, “nós” e “nosso”) tem como missão a conscientização dos jovens brasileiros de que mudando a si mesmo, o seu entorno e se engajando politicamente, eles podem transformar sua realidade. 

Por isso, nós nos preocupamos com as questões de privacidade e desejamos que os usuários (“você”, “voluntário”, “seu” e “sua”) se familiarizem com a forma como coletamos, usamos, acessamos, armazenamos, eliminamos, transferimos, divulgamos e tratamos os seus dados pessoais. 

Esta Política de Privacidade (“Política”) estabelece as regras sobre o tratamento dos seus Dados Pessoais coletados no site “www.engajamundo.org”, do Engajamundo, aplicadas em qualquer dispositivo e computador, no momento em que o usuário se cadastra como voluntário na rede. A partir da coleta dos seus dados pessoais, o Engaja dará continuidade ao seu processo de entrada, onboarding e inclusão (pós-entrada). 

Podemos alterar esta Política a qualquer tempo, mas você será avisado quando fizermos qualquer mudança substancial, inclusive precisaremos que você concorde com essas alterações. Você pode notar que sempre informamos, no início da Política, a data da sua última atualização. 

Além disso, é importante que você saiba que as informações desta Política dizem respeito apenas a este site. Se você for redirecionado para outro site durante a sua navegação, deverá buscar a política de segurança aplicável. 

Preparamos um resumo dos principais pontos desta Política de Privacidade: 

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2. Com a coleta dos dados, queremos possibilitar a sua entrada, inclusão e permanência nos grupos de trabalho, núcleos locais, projetos e campanhas do Engajamundo. 

3. Poderemos compartilhar seus dados pessoais com terceiros. 

4. Podemos armazenar os seus dados fora do país. 

5. Podemos usar dados anonimizados para fins estatísticos e de controle da nossa atuação na comunidade. 

6. Tomamos medidas de segurança razoáveis para proteger seus dados. 7. Excluiremos seus dados de nosso sistema quando você quiser, mas somos obrigados a manter os registros de acesso pelo prazo legal. 

Por favor, leia este documento completo antes de começar a navegar em nosso site. O resumo só existe para indicar os pontos principais da nossa Política, mas não dispensa a leitura do documento abaixo. 

Nosso compromisso com a sua privacidade

Aqui no Engajamundo estamos realmente empenhados em proteger a sua privacidade, garantindo que seus dados pessoais serão tratados de acordo com a lei brasileira, em especial a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018, a “LGPD”), e com as melhores práticas. Por isso, somos transparentes em relação às nossas práticas e estamos à disposição para conversar sempre que você quiser. 

O escopo desta Política inclui o tratamento de dados pessoais de voluntários para ingresso em algum dos grupos de trabalho do Engajamundo. Veja abaixo alguns dos princípios que orientam a forma pela qual tratamos seus dados pessoais: 

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? O Engaja alinhará seus processos, políticas, práticas e ações para cumprir esta Política, de modo que todo e qualquer tratamento de dados pessoais será realizado de acordo com esta Política e para cumprir as finalidades aqui especificadas. 

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Definições importantes 

Veja abaixo algumas definições importantes para entender melhor a proteção que aplicamos aos seus dados pessoais, os limites do nosso uso e seus direitos: 

Titular – Você é o titular dos seus dados pessoais.

Dado pessoal – Informação identificada ou identificável sobre um titular. São exemplos de dados pessoais o seu nome, data de nascimento, telefone, endereço, e-mail, dentre outros. 

Controlador – Pessoa responsável por tomar decisões relacionadas ao tratamento dos dados pessoais dos titulares. Nesse caso, é o Engajamundo. 

Tratamento – Qualquer operação que seja realizada com dados pessoais, o que pode incluir obtenção, acesso, análise, transferência, armazenamento, anonimização, eliminação etc. 

Anonimização – Processo de despersonalização dos dados pessoais por meio da remoção de qualquer associação destas informações aos titulares a quem elas se referem. Um dado anonimizado não é um dado pessoal. 

Direitos dos titulares de dados e a forma de exercê-los 

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? Confirmar se estamos tratando quaisquer dados pessoais relacionados a você. ? Obter informações, de forma clara, adequada e ostensiva, sobre o tratamento de seus dados pessoais, como a finalidade do tratamento, o período durante o qual serão armazenados e com quem compartilhamos, e sobre quais dados pessoais temos a seu respeito. 

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Base legal para o tratamento 

O Engajamundo, como controlador, apenas tratará dados pessoais quando tivermos uma razão legal para fazê-lo. A base legal para nosso tratamento de dados pessoais será uma das seguintes: 

? Você nos deu seu consentimento para o tratamento dos seus dados pessoais. ? O tratamento é necessário para o cumprimento de um contrato que firmamos ou firmaremos com você.

? O tratamento é necessário para alcançar nossos legítimos interesses, sempre de forma a equilibrar nossa necessidade com seus direitos e liberdades fundamentais. 

? O tratamento é necessário para cumprir com uma obrigação legal. 

Finalidade dos tratamentos de dados pessoais realizados por nós 

Veja abaixo os dados pessoais que nós podemos coletar e armazenar e o que pretendemos fazer com eles. O Engajamundo usará ou compartilhará seus dados pessoais de acordo com o que você consentir abaixo, conforme nossas listas abaixo: 

Dados pessoais Finalidade Período de armazenamento
Nome Cadastro do voluntário na rede de grupos de trabalhoDurante todo período em que estiver ativo na rede
Endereço de e-mail Meio de comunicação da rede de grupos de trabalhoDurante todo período em que estiver ativo na rede
Número de telefoneMeio de comunicação com a comunidade atingida pelas ações dos grupos de trabalhoDurante todo período em que estiver ativo na rede
LocalidadeCadastro do voluntário na rede de grupos de trabalho, encaminhamento dentro da rede e mapeamento de perfilDurante todo período em que estiver ativo na rede
GêneroCadastro do voluntário na rede de grupos de trabalho, encaminhamento dentro da rede e mapeamento de perfilDurante todo período em que estiver ativo na rede

CPF 

Cadastro do voluntário na rede de grupos de trabalho e criação de número de registro 

Durante todo período em que estiver ativo na rede 

Os dados pessoais indicados acima serão mantidos em nosso sistema enquanto necessários para cumprir com as finalidades descritas, a menos que antes disso você solicite a eliminação deles de nossa base de dados. 

Dados pessoais sensíveis 

Os dados pessoais sensíveis constituem uma categoria específica de dados pessoais que demandam maior grau de proteção legal diante do potencial discriminatório que pode derivar do seu tratamento. 

Dentre esses dados pessoais, encontram-se aqueles sobre a origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dados referentes à saúde ou à vida sexual, ou ainda dado genético ou biométrico, quando vinculado a uma pessoa natural. 

Desse modo, veja abaixo os dados pessoais sensíveis que nós podemos tratar e o que pretendemos fazer com eles.

Dados sensíveis Finalidade Período de armazenamento
RaçaCadastro do voluntário na rede de grupos de trabalho, encaminhamento dentro da rede e mapeamento de perfilDurante todo período em que estiver ativo na rede

Condição de portador de deficiênciaCadastro do voluntário na rede de grupos de trabalho, encaminhamento dentro da rede e mapeamento de perfilDurante todo período em que estiver ativo na rede

Note que o tratamento com dados pessoais sensíveis está sujeito à proteção especial, nos termos da LGPD. Desse modo, os dados pessoais sensíveis indicados acima são de caráter apenas facultativo e para que sejam coletados pelo Engaja e mantidos em nosso sistema, é necessário que você consinta prévia, explícita e inequivocadamente com o tratamento. 

Limitações à coleta, utilização e distribuição de dados pessoais Ao coletar dados pessoais, o Engaja: 

? Não usa seus dados pessoais com finalidades de marketing, sem antes solicitar seu consentimento. 

? Toma todas as medidas apropriadas, mediante contrato ou qualquer outra forma, para dar a proteção adequada aos dados pessoais que sejam transferidos para terceiros. 

? Utiliza os dados pessoais coletados, durante o cadastro no site, apenas para as finalidades descritas nesta Política. 

Coleta de dados pessoais de menores de idade 

O Engajamundo é uma organização de liderança jovem e feita para jovens, pois acreditamos na importância da atuação da juventude para enfrentar os maiores problemas ambientais e sociais do Brasil e do mundo. 

Temos como visão uma juventude brasileira consciente do seu impacto socioambiental, engajada em processos de decisão locais, nacionais e internacionais, possibilitando melhores decisões políticas. Reivindicamos mais acesso e representação das juventudes em todos os processos de tomada de decisão, para que os jovens tenham cada vez mais espaço para articular suas demandas. 

Desse modo, durante o cadastro de voluntários, o Engaja coleta dados pessoais de adolescentes a partir de 15 (quinze) anos de idade para realizar o encaminhamento dentro da rede e o mapeamento de perfil. O Engaja está empenhado em proteger as necessidades de privacidade desses adolescentes e encorajamos os pais e responsáveis a ter um papel ativo nas suas atividades. 

O Engaja não coleta, intencionalmente, os seus dados pessoais com o objetivo de vender produtos ou serviços. O formulário serve apenas para escolha das formas com as quais você quer se engajar e contribuir, além de facilitar o seu processo de entrada e onboarding no Engaja. 

Transferência dos dados para terceiros 

O Engajamundo compartilha seus dados pessoais com outras empresas, como aquelas que prestam serviços de armazenamento em nuvem. Sempre orientamos esses terceiros sobre como tratar seus dados, mantê-los seguros e cumprir a lei.

Seus dados anonimizados podem ser compartilhados com agências de marketing e consultorias para a análise estatística para, por exemplo, conduzir pesquisas e estudos em busca de melhoria contínua de nossos trabalhos, processos, reinvindicações, ações e engajamentos. 

Seus dados pessoais não serão transferidos, vendidos, alugados ou divulgados de qualquer maneira que não esteja escrita nessa Política de Privacidade. 

Transferência internacional de dados 

Os seus dados pessoais podem ser armazenados fora do Brasil, que, de acordo com a legislação nacional, constitui “transferência internacional de dados”, então, ao concordar com esta Política, você também entende e consente com este envio. 

Garantimos que seus dados também serão protegidos e bem cuidados no exterior. O Engaja só transferirá seus dados pessoais para países ou organismos internacionais que proporcionem grau de proteção semelhante ao previsto na legislação brasileira e tomará sempre as medidas adequadas para garantir que eles estarão em segurança. 

Medidas de segurança para proteger os dados pessoais 

O Engajamundo usa medidas organizacionais, físicas, técnicas e administrativas razoáveis para proteger os seus dados pessoais que estão sob o nosso controle. 

Adotamos medidas de segurança adequadas para nos proteger contra o acesso, alteração, divulgação ou destruição não-autorizada dos dados pessoais. Essas medidas incluem análises internas de nossas práticas de coleta, armazenamento e tratamento de dados. 

Infelizmente, nenhuma transmissão de dados pela internet ou sistema de armazenamento de dados pessoais pode ser garantido como 100% seguro. Desse modo, se você tiver motivos para acreditar que sua interação conosco não é mais segura, notifique imediatamente o Engaja sobre o problema, entrando em contato através do endereço de e-mail “[email protected] | [email protected]”. 

Se houver uma violação de sistemas de segurança, tentaremos notificá-lo eletronicamente para que você possa tomar as medidas de proteção. 

Retenção de dados pessoais 

O Engaja retém os seus dados pessoais pelo período necessário para cumprir os objetivos descritos nesta Política, a menos que um período de retenção mais longo seja exigido ou permitido pela legislação aplicável. 

Registro de conexão e acesso 

Por conta de uma obrigação legal somos obrigados a guardar, por seis meses, os dados de navegação no nosso site e, eventualmente, autoridades judiciais ou administrativas podem solicitar tais informações.

Os dados de navegação incluem: endereços de IP, Identificadores Uniformes de Recursos (URIs), horários de solicitações, métodos usados para enviar solicitações ao servidor, tamanho dos arquivos recebidos como resposta, códigos numéricos indicando a situação da resposta do servidor, e outros parâmetros relacionados ao sistema operacional do usuário e ao ambiente computacional. 

Os sistemas de computadores e softwares projetados para navegar neste site coletam, durante seu uso normal, determinados dados pessoais, cuja transmissão é implícita ao uso de protocolos de comunicação da internet. Em regra, essas informações não são coletadas para identificar usuários, mas, por conta da sua natureza, podem permitir essa identificação por meio de associações a outros dados. 

Cookie 

Cookie é pequeno arquivo de texto que podemos enviar ao seu navegador, anexado a qualquer conexão, onde na visita ao nosso site podemos instalar em seu computador e informações relacionadas às atividades efetuadas são coletadas. Nas visitas posteriores o navegador reenvia os dados para o servidor dono do cookie e os dados são preenchidos de forma automática, ação conhecida como “cookies persistentes”, que não expiram quando o seu navegador é fechado. Um cookie é transmitido até que perca a validade, que é definida pelo site, ou quando são excluídos através das configurações de seu computador. 

Se você não quiser que as informações sejam coletadas por meio do uso de cookies, existe um procedimento simples, na maioria dos navegadores, que permite recusar o uso de cookies. Alguns recursos do site podem não funcionar corretamente se você recusar o seu uso. 

Sites de terceiros 

Esta Política não aborda e não somos responsáveis pela privacidade, dados pessoais ou outras práticas de terceiros, incluindo qualquer terceiro operando qualquer página para a qual o nosso site contenha um link. A inclusão de um link no nosso site não implica no endosso do site vinculado pelo Engajamundo. 

Recomendamos que você examine a política de privacidade publicada nos sites que visitar antes de usá-los ou de fornecer dados pessoais. 

Lei aplicável 

A presente Política deverá ser interpretada segundo a legislação brasileira aplicável, mais especificamente de acordo com as Leis nº 12.965/14 (“Marco Civil da Internet”) e 13.709/18 (“Lei Geral de Proteção de Dados”). 

Contato com o Engajamundo 

Se você tiver alguma dúvida sobre esta Política de Privacidade, entre em contato com o Engajamundo, através do endereço de e-mail “[email protected]”.

Se desejar revisar, corrigir, atualizar, suprimir, excluir ou de outra forma limitar o uso do Engaja de seus dados pessoais, que foram fornecidos anteriormente, você também pode entrar em contato conosco. 

Ao clicar no botão “Eu consinto com o tratamento dos meus dados pessoais sensíveis” você declara que tem conhecimento sobre a não obrigatoriedade do seu fornecimento e concorda com a coleta, uso e armazenamento dos dados sensíveis fornecidos por você, neste ato, nos termos da Política de Privacidade.

Não categorizado Programa Embaixadores da Juventude da ONU

9 de abril de 2021

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Amanda da Cruz Costa


Oláaaa engajadinhos marabrilhosos, turopom?

Meu nome é Amanda (mas pode me chamar de Amandinha), fui coordenadora do Grupo de Trabalho sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (GT ODS) e em setembro/20 fui selecionada para ser uma das jovens embaixadoras da ONU! o/

Decidi escrever este texto porque imagino que, assim como eu, muitos jovens têm o sonho de trabalhar ou voluntariar na ONU, mas não sabem como dar o primeiro passo.

Booora comigo que vou te contar tuuuudinho 🙂

Esse Programa nasceu para solucionar um grande desafio: a baixa representatividade da juventude brasileira nos espaços de diálogo e de tomada de decisão global. [Bem parecido com o Engaja, nénom?]

Há quatro anos, em 2016, a United Nations Office of Drugs and Crime (UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes) aqui no Brasil se uniu com o Instituto Caixa Seguradora com o objetivo de capacitar jovens agentes de transformação de 18 até 25 anos, para atuarem como multiplicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (os famosíssimos ODS).

Além da parceria babadeira entre a UNODC e o Instituto Caixa Seguradora, a 5º edição do programa contou com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo. Com a parceria firmada, cinco jovens das cinco regiões da capital paulistana foram escolhidos para integrarem a rede.

Por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus, toda a programação foi online. Os encontros foram divididos para contemplar todos os ODS a partir da lente dos 5Ps (Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias), sendo facilitados pelo Rodrigo Araújo, assistente de projetos sênior da UNODC.


Foram 11 encontros divididos entre A e B. Nos encontros A fizemos debates com especialistas e refletimos sobre os desafios globais relacionados a cada P da Sustentabilidade. Já nos encontros B, realizamos diversos exercícios com o pessu da nossa zona (norte, sul, leste, oeste e centro) e algumas atividades práticas de localizaçao da Agenda 2030 no contexto da cidade de São Paulo.

“Cada encontro, um novo tiro”

De forma geral, os temas que discutimos foram:

  • Educação universal e de qualidade durante a pandemia;
  • Educação universal, raça e gênero;
  • Cidades sustentáveis, seguras e inclusivas;
  • Relação entre juventude e polícia;
  • Mudanças climáticas e desigualdades;
  • Investimento social e privado;
  • Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável.

Além de reuniões dinâmicas, divertidas e fundamentadas em dados (do jeitin que o xófen brasileiro gosta), o aprendizado foi meeeega horizontal! Todos tiveram liberdade para expor opiniões, compartilhar conhecimento e descolonizar o padrão de pensamento, através de provocações feitas pelos próprios participantes: jovens pretos, periféricos, indígenas, quilombolas, PcDs, transexuais e imigrantes.

Queridos, é I-M-P-O-S-S-I-V-E-L traduzir em um artigo essa experiência ahazadôra! Sintetizei parte do conteúdo em uma série de 11 artigos no meu blog. Dá uma olhadinha e me chama no contatinho se tiver alguma dúvida ou curiosidade 🙂

Blog, Clima, Juventude e Política, Rede Engaja Quer fazer ação climática no seu entorno e não sabe como? O Engaja vai te ajudar de um jeitinho bem simples!

16 de dezembro de 2020

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A região da América Latina e do Caribe é uma das mais afetadas pela crise climática. O Banco Mundial, em seu relatório Preparing for Internal Climate Migration, estimou que mais de 5,8 milhões de pessoas serão forçadas a deixar suas casas/regiões devido ao clima até 2050. O IPCC 1.5 também aponta para sérios riscos à saúde, segurança alimentar e ecossistemas terrestres na região. Como resultado, as perdas econômicas aumentaram à medida que as temperaturas sobem, especialmente nos países de renda média, como é o caso na maioria dos países da região. Além disso, os esforços para controlar esse cenário se refletem nas estratégias de adaptação, uma vez que a necessidade de desenvolver formas de adaptação aumentará proporcionalmente com a temperatura.

Historicamente, as juventudes latino-americanas e caribenhas (LAC)  têm desempenhado papel fundamental na construção de um caminho novo através da justiça climática, não só por conhecer as nuances de representar o global sul e trabalhar para mudar a realidade, mas, para muitos de nós, defender e cuidar do território faz parte de nossa essência. As juventudes LAC têm mostrado como seguir para a descarbonização, como trabalhar em equilíbrio com a natureza e como proteger as vidas. E mais, é a juventude que tem cobrado dos tomadores de decisão mais responsabilidade. 

É a partir desta perspectiva que o Guia de Ação Climática Local nasceu, através do reconhecimento das nuances da região LAC e da compreensão de que as juventudes têm o potencial para protagonizar a mudança sistêmica necessária para a justiça climática, começando em seu território. Ele foi desenvolvido com o objetivo de munir e fortalecer as diversas juventudes da região LAC, com ferramentas e que pretendem impulsionar a atuação e incidência local para combate à crise climática imposta. 

O Guia de Ação Climática Local traduz em linguagem acessível reflexões sobre como as juventudes podem agir em suas comunidades em prol da agenda climática, inspirado na realidade de jovens ativistas latino-americanos e nas experiências do Engajamundo e outras e organizações que combatem a crise climática. Ele é uma ferramenta para inspirar questionamentos e apresentar caminhos para uma transformação local.

Primeiro, o guia nos apresenta o conceito de advocacy e como ele é ensinado por nós no engaja. Em seguida, você pode encontrar diferentes ferramentas, que mostramos em um processo de três etapas gerais: 1) identificação e mapeamento, 2) estratégia e preparação e 3) ação e divulgação.
O guia está disponível para download em espanhol e português. “
adicionar link portugues e em espanhol.

O material foi elaborado pelo Engajamundo em conjunto com a Rede Regional sobre Mudanças Climáticas e Tomada de Decisões – Programa UNITWIN da UNESCO, no âmbito do projeto Hacé click, executado no âmbito das atividades do Centro de Conhecimento para a Mudanças Climáticas para a América Latina – Clik HUb.

CliK Hub congrega 19 redes aliadas da América Latina com o objetivo de conectar e articular redes na região para catalisar o conhecimento para a ação climática. É coordenado pela Fundación Futuro Latinoamericano (FFLA) através da Aliança Clima e Desenvolvimento (CDKN).  O centro procura promover o aprendizado e a colaboração entre seus membros sobre boas práticas e lições aprendidas na gestão do conhecimento, bem como capturar, agrupar, tornar visível, aprimorar e disseminar conhecimentos, ações e experiências com diversos atores para a defesa e ação climática.

Blog, Clima No aniversário do Acordo de Paris, Brasil chega para dar vexame na festa

13 de dezembro de 2020

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O dia 12 de dezembro entrou para a história das negociações climáticas quando, lá em 2015 na COP21, marcou o nascimento do Acordo de Paris – fruto de grandes esperanças para a ação climática e, ao que tudo indicava, trazendo um respiro de alívio (mesmo que curtinho) da sociedade civil internacional que tanto demandava uma ambição climática real.

Apesar de naquele momento já deixar a desejar no cumprimento efetivo das metas necessárias de manter o aquecimento do planeta bem abaixo dos 2º (e idealmente até 1,5º), o Acordo de Paris nascia trazendo a expectativa de uma agenda climática internacional que parecia enfim caminhar para o rumo certo, sendo um passo inicial para frear a crise climática que já batia tão forte à porta. É esperança que chama, né? 

No ano de 2020, chegamos ao quinto aniversário do Acordo de Paris, mas será que temos algo a comemorar?

O Acordo de Paris tem um grande potencial para ser um catalisador para ação climática global e um norteador para aumentar a ambição política dos países sobre o assunto – porém depois de 5 anos não é bem isso que estamos vendo. 2020 deveria estar sendo mais um capítulo decisivo nesta história, já que é momento dos países signatários revisarem suas NDCs (sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas) e submeterem novas metas com maiores ambições. Mas, em mais um momento de “dormir no ponto”, a maior parte dos países ainda não enviou suas NDCs revisadas: dos 195 países, apenas 22 enviaram suas revisões, correspondendo a míseros 8,6% das emissões globais. Devemos lembrar que apenas falar ou parecer se preocupar com o assunto não é suficiente, ainda mais quando quem o faz possui a capacidade de tomar decisões importantes sobre o assunto. 

E o Brasil nesta história? Nos últimos cinco anos, a política climática brasileira vem trazendo posicionamentos no mínimo incoerentes com a urgência da crise climática. A cada novo aniversário do Acordo, se fizermos uma retrospectiva das ações, decretos e políticas relacionadas à pauta climática, o resultado não engana: o Brasil vem dando bolo, fugindo do seu compromisso e dando presentes um tanto quanto contraditórios com a expectativa do aniversariante. 

Altas absurdas nas taxas de desmatamento, grandes queimadas devastando nossos biomas, aumento na taxa média de emissões de GEEs mesmo durante a pandemia (e mais uma vez indo na contramão mundial), Fundo Clima e Fundo Amazônia parados. A isso, some a constante e crescente violência direcionada aos nossos povos originários e tradicionais e o frequente esforço de deslegitimar e criminalizar a atuação das organizações da sociedade civil. Este é o combo que o Brasil vem entregando recentemente. 

E com um histórico desses, não é de se estranhar que o Brasil chegue para dar vexame na festinha de aniversário do Acordo de Paris

Para o aniversário de 5 anos do Acordo de Paris, o combinado é o seguinte: agora é a hora de reafirmar o que foi prometido lá no seu nascimento, mas não é qualquer presente que está valendo nessa festinha. O combinado é que as metas de agora (NDCs revisadas) aumentem em ambição quando comparadas às submetidas em 2015, seguindo o princípio do não retrocesso (ou seja, uma nova NDC sempre terá que ser melhor ou mais ambiciosa que a anterior).

Mas olhando para o caminho que o Brasil vem construindo nos últimos anos, já dava para imaginar que a lembrancinha brasileira não seria tão bem vista assim né. A revisão das NDCs brasileiras apresentada essa semana aparece como uma reciclagem mal feita do que foi submetido lá em 2015, permitindo na verdade que uma quantidade ainda maior de emissões de GEEs sejam liberados –  segundo o Observatório do Clima, uma emissão maior em 400 milhões de toneladas se comparada à meta anterior, para apontar dados mais exatos. O plano ainda não detalha como pretende cumprir com a meta de zerar desmatamento ilegal até 2030 e condiciona o pagamento de US$ 10 bilhões anuais aos países ricos a partir de 2021 para que o Brasil antecipe o prazo de neutralidade de carbono a princípio jogado para 2060. Você está se perguntando como esse plano poderia ter sido muito melhor executado, com dados que façam sentido e reflitam a ambição climática necessária? Vem ver aqui a revisão das NDCs no olhar da sociedade civil, feita pelo Observatório do Clima..

A expectativa que já estava baixa, se confirma e se agrava com o recente pronunciamento do Brasil, que mais uma vez perde a oportunidade de se mostrar comprometido com a agenda climática. O misto de falta de ambição, dados vagos e incertos e a colocação de “indicativos” e “intenções” quando obviamente não é isto o que precisamos, é o verdadeiro retrato daquele convidado inconveniente que resolve não seguir em nada os tratos da festa. Esta receita que já não estava boa, ainda traz uma questão adicional importante e problemática: onde estava a sociedade civil, que teve um papel tão essencial cinco anos atrás, neste processo de revisão? A resposta é: não estava. Não houve construção coletiva, diálogo nem ao menos transparência, e o resultado choca um total de zero pessoas. O Brasil chegou pra dar vexame nessa festinha de aniversário, não dá pra negar. 

É por estas e outras que o Brasil segue no seu caminho de isolamento na agenda climática global – o que teve como mais recente exemplo ter sido excluído da Cúpula de Ambição Climática (Climate Ambition Summit). Mas bora lá né, não só de perdas vive o governo brasileiro dentro da agenda climática: nesta semana mesmo ganhou o grande reconhecimento com uma premiação internacional de peso. Parabéns pelo prêmio duplo do Fóssil do Dia, Brasil! 

Por mais esperançoso que o Acordo de Paris possa ter sido em seu surgimento, isso por si só não basta. O Acordo de Paris não se realizará sozinho, e quem está à frente (governantes e tomadores de decisão de cada país) precisa assumir suas obrigações, encabeçando e coordenando ações efetivas para barrar a crise climática. Ainda dá tempo de se inspirar na juventude e aprender sobre como serem convidados melhores para esta festa. Sobre trabalhar com ambição, nós sabemos de sobra.

Foto de Mercedes Mehling no Unsplash

Blog, Gênero “Não sei se sou Bi ou se sou Pan”

8 de dezembro de 2020

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Texto de Danielle Amaral e Daniella Vieira


“Não sei se sou Bi ou se sou Pan”

Há alguns dias atrás eu me deparei com essa frase no Twitter e ela me chamou atenção por se tratar de uma coisa tão comum como é o processo de descoberta, autoconhecimento e questionamento da própria sexualidade, mas que às vezes acaba trazendo muita confusão e dor de cabeça pela pressão que é colocada por nós mesmes e pelos outres em nos nomear e definir.

A maioria de nós nasceu e foi criado em uma sociedade na qual ser hétero é a norma, e que os apontamentos acerca de outras orientações sexuais (que antigamente nem eram chamadas assim), sempre eram feitos de modo depreciativo e violento. Assim, pensar sobre o assunto, se questionar e tentar se entender fora desse padrão que foi estabelecido às vezes acaba sendo muito difícil, tanto pra se aceitar/reconhecer quanto pra se compreender.

Como não fomos criados em um mundo em que essas informações nos fossem passadas com tranquilidade, entender o que cada letrinha do LGBTAQIAP+ representa nem sempre é uma tarefa fácil. E então surgem as dúvidas: mas o que danado eu sou? eu sou hétero? sou bi? sou pan? sou lésbica?

Não existe manual pra isso, então a gente não veio aqui te passar uma receita do bolo da autodescoberta da orientação sexual. Mas vamos tentar acalmar esse seu coraçãozinho nesse processo te mostrando que tá tudo bem e que você não tá sozinhe.

Primeiro de tudo, tá tudo bem ter dúvidas, orientação sexual não é uma fórmula de matemática. Você não precisa saber que ? é igual a 3.14159…, ou que x é igual a – b ± ?? / 2·a pra beijar ou pra se apaixonar por alguém. E eu levanto as mãos pro céu por isso, porque se fosse mesmo necessário… vixe!

“Há, mas fulaninhe sabe desde os 14 anos que é gay, e sicraninhe nunca precisou beijar nenhum cara pra saber que era lésbica.”

Te acalma que cada um tem seu tempo! Você é uma sementinha única, e não precisa encarar a plantinha alheia pra se comparar, que isso só vai trazer frustração. E acredita em mim, tem muita gente passando pelo mesmo que você nesse exato momento.

Se descobrir nesse caso é um processo contínuo e muitas vezes existe mais de uma revelação. E o que eu quero dizer com isso? Perceber que você não se encaixa no padrão hetero cis já é uma baita descoberta, mas acaba te abrindo pra esse mundo de possibilidades que às vezes acaba sendo um pouquinho (lê-se muito) confuso. E é aí que mora a melhor parte! Preparades? Você não é obrigade a tomar uma decisão pra vida toda! Aqui a gente não trabalha com a pressão de ensino médio em que você no auge dos seus 16/17/18 anos tem que decidir “o que você quer ser quando você crescer”, e nem é bom que isso seja feito (cuida da tua saúde mental, plantinha, teus divertidamente agradecem!). Se você, por exemplo, se identificar como lésbica agora, mas depois de um tempo perceber que outra orientação sexual se encaixa melhor com o que você é, não tem problema, cê pode mudar, sua história e sua identidade continuam sendo válidas. Segundo uma amiga minha, existem várias saídas do armário.

Agora, voltando ao caso que me levou a fazer essa reflexão “Não sei se sou Bi ou se sou Pan”, e aproveitando que hoje é o dia da pansexualidade (ieiiiii!!) vou aproveitar o momento pra falar sobre um termo massa que eu conheci a pouco tempo, mas já considero pacas: a monodissidência.

Um termo brasileirissimo que foi criado pra “abranger os movimentos de busca de direitos de pessoas que não se reconhecem nem como hétero nem como homo, ou seja, que não são monossexuais ou monoromânticos e intencionalmente ou não acabam divergindo das vivências da monossexualidade”. Assim, a monossexualidade é um padrão que bis e pansexesuais (assim como poli, queer, aro, ace, etc.) quebram dentro do movimento LGBTQIAP+.

Se entender monodissidente (ou seja, se atrair romântica ou sexualmente por pessoas de diferentes identidades de gênero) já é afunilar a tua revelação, mas aí cê pode cair nessa de pansexualidade ou bissexualidade. Então xeu começar explicando um pouco.

Foto de Toni Reed no Unsplash

O que é Pansexualidade?

Vamos lá, tá ligade no P de LGBTQIAP+? Então, esse P é de Pansexualidade. Isso já dá um spoiler do termo, afinal se tá na sigla significa que tem a ver com sexualidade ou identidade de gênero. 

“Mas então, Dani, me conta logo o que é!”

Pansexual é alguém capaz de sentir atração física, emocional ou afetiva por qualquer sexo ou gênero, incluindo quem se considera não-binárie. As pessoas que se identificam como pansexuais são, digamos que, “cegas” ao gênero, elas simplesmente gostam de pessoas e nada mais.

E agora, deu pra entender? 

“Tá, entendi… mas ainda tô um pouco perdide, tipo, essa também não seria a definição de bissexualidade??”

Tá, vamo lá, essa é uma pergunta que causa muita dor de cabeça, mas qual a diferença entre uma pessoa pansexual e uma bissexual?? 

Aqui existem muitas divergências de opinião, e muita briga também. Algumas pessoas consideram que a bissexualidade abarcaria a atração apenas pelos gêneros binários cis (ou seja, mulher cis e homem cis), excluindo assim pessoas não-bináries, trans e travestis, enquanto que a pansexualidade englobaria a atração por todos esses gêneros. Esse pensamento vem sendo contra argumentado pelas pessoas bis que dizem que a bissexualidade é a atração romântica e/ou sexual por dois ou mais gêneros, ou seja, você pode se atrair por dois ou por todos os gêneros (se quiser saber um pouquinho mais sobre isso, dá uma olhada no Manifesto Bissexual).

Outras pessoas acabam usando o termo bi como guarda-chuva pra falar sobre monodissidência, ou seja, considerando que as duas terminologias têm o mesmo significado e que pela bissexualidade ser mais “conhecida” essa poderia englobar a pansexualidade, assim como a polissexualidade. Esse tipo de estratégia acaba trazendo um apagamento pra comunidade e às lutas pan.

Por último, uma outra diferenciação muito recorrente é em relação à história das duas terminologias. O movimento bi surgiu antes que o pan, lá no início do século XX, com o objetivo de quebrar a narrativa de dualismo que existia trazendo a representação de “pessoas que se atraiam por todos os gêneros”. Enquanto que a pansexualidade nasceu lá pelos anos 90, muito ligada à questão de transfobia dentro do movimento LGBTQIAP+, pensando na atração por pessoas não-bináries, agênero, trans e etc, que muitas vezes não se viam englobadas nas outras orientações sexuais (aqui se fazia uma forte crítica ao movimento bi, que pelo nome ligava-se ao binarismo).

Ufa! Viu como é complicado? Então, no fim você se define como se sentir mais confortável. Assim como a sua decisão não é definitiva, o significado do termo e tudo que ele abrange também não é. A gente tem que lembrar que tanto a pansexualidade, quanto a bissexualidade (assim como todas as outras) são compostas por pessoas, e essas pessoas são diferentes e tão em constante transformação, então nada mais justo do que essas ideias evoluírem com elas, né?

Ah, e já que tamo no assunto, vou aproveitar pra trazer um mito que muita gente ainda acredita: É verdade que pessoas pensexuais sentem atração por objetos, crianças e animais?? 

Não! Essa é uma crença equivocada, um mito disseminado na intenção de “demonizar” e invalidar essa orientação sexual.

Agora que a gente já conversou um pouco, vamos conhecer alguns famosos que são pansexuais??

Bianca Andrade 

Reynaldo Gianecchini 

Preta Gil 

Bella Thorne 

Cara Delevigne 

Miley Cyrus 

Sia 

Janelle Monáe

E é isso gente, eu fico por aqui. Mas e aí, se descobriu? Mas sem pressão viu? 😉

Foto de Yoav Hornung no Unsplash

Referências

AGUIAR, Dríade. Mitos sobre Pansexualidade!. Mídia Ninja, 10 de dez. de 2019. Disponível em: <https://midianinja.org/driadeaguiar1/mitos-sobre-pansexualidade/>. Acesso em: 30 de nov. de 2020.

COSTA, Amanda et al. Orgulho Define!. Engajamundo, 26 de jun. de 2020. Disponível em: <https://engajamundo.org/2020/06/26/orgulho-define/>. Acesso em: 27 de nov. de 2020.

FILHO, Ká. Guia básico do movimento pansexual. Bi-Sides, 05 de ago. Disponível em: <https://www.bisides.com/post/guia-b%C3%A1sico-do-movimento-pansexual>. Acesso em: 02 de dez. de 2020.

FONTES, Kaique; FILHO, Ká. As diferenças entre o ativismo bi e pan. Bi-Sides, 26 de ago. Disponível em: <.https://www.bisides.com/post/as-diferen%C3%A7as-entre-ativismo-bi-e-pan>. Acesso em: 02 de dez. de 2020.

MIRANDA, Zoe “Zero”. Debater monodissidência não é fácil. Medium, 03 de jan. de 2018. Disponível em: <https://medium.com/@zeroper97/debater-monodissid%C3%AAncia-n%C3%A3o-%C3%A9-f%C3%A1cil-a78c5e3ebd5e>. Acesso em: 03 de dez. de 2020.

PANSEXUAIS, Vale dos (Vale dos Pansexuais). Bissexualidade e pansexualidade: Qual a diferença real entre as duas?. 15 de out. de 2020. Instagram: Valedospans. Disponível em: <https://www.instagram.com/p/CGYFR3RHaV0/>. Acesso em: 13 de nov. de 2020.
OLIVEIRA, Jussara R. Bi, Pan, Poli? Aro, Ace? Desafios na construção de um movimento monodissidente. Medium, 03 de jul. de 2019. Disponível em: <https://medium.com/nerd-treteira-ativista-e-academica/bi-pan-poli-aro-ace-desafios-na-constru%C3%A7%C3%A3o-de-um-movimento-monodissidente-50bd0898a105>. Acesso em: 03 de dez. de 2020.

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