Blog, Habitat III E aí juventudes, com que cidades e comunidades sustentáveis vocês sonham?!

18 de agosto de 2020

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Dia 12 de Agosto é o Dia Internacional da Juventude. No Dia Mundial das Cidades de 2019, o GT Cidades e Comunidades Sustentáveis já trouxe algumas reflexões e propostas enquanto juventude sobre “Que utopia de cidades queremos construir?”. Mas, considerando que as juventudes são diversas e plurais (gênero, sexualidade, etnia, naturalidade, classe social, etc.), questionamos dessa vez nossxs voluntárixs quais as expectativas/sonhos/propostas das diferentes juventudes para cidades e comunidades mais sustentáveis nos pilares social, econômico e ambiental, quais as diferentes visões e/ou vivências sobre cidades e comunidades atualmente e o que propõem para torná-las melhores. A fim de ecoar a pluralidade de vozes e visões das juventudes sobre o tema cidades e comunidades sustentáveis, trazemos então para debate a fala de oito diferentes jovens do Engajamundo: 

Eu moro numa grande metrópole e nesse contexto meu maior sonho para a cidade é que ela seja melhor conectada, com mais opções de transporte – principalmente os que não poluem – chegando em todas as pontas, desafogando metrô e ônibus lotados, diminuindo o trânsito e a quantidade de carros e diminuindo também o tempo que a gente gasta se deslocando, pra que a gente tenha mais tempo pra viver a cidade, pra ter lazer e cultura, valorizando as relações humanas.

E como eu amo ter contato com a natureza, e acredito muito que a melhor opção de alimentação é aquela que está mais perto da gente, sonho também com uma cidade cheia de hortas e pomares comunitários, que vão servir pra alimentar não só as pessoas como a vida silvestre que existe, sim, nas cidades!

Marina Vieira, 27 anos, São Paulo/SP

Eu gostaria primeiramente de mais acessibilidade nas favelas e centros. Acredito que ignoramos bastante os deficientes, etc. Gostaria de Bancos de Alimentos em todos os bairros para os que passam por necessidade. Projetos de permacultura para facilitar a vida dos mais vulneráveis como quem moram em margem de rio, em barreiras, etc. Gostaria de projetos que incentivam o uso das bicicletas e leis proibindo o uso de carros em certos períodos para diminuir a emissão de CO2. Gostaria de uma atenção maior aos nossos rios.

Ture, 19 anos, não-binário, Recife/PE

Cresci em uma comunidade interiorana em uma cidade com menos de 3.000 habitantes, no meio oeste catarinense. Vi florestas sendo queimadas para pastagens, habitats próximo de rios sendo imersos na água em decorrência da construção exacerbada de Usinas Hidrelétricas e araucárias serem derrubadas para construção de lavouras agrícolas. A gente cresce nesse condicionamento que, majoritariamente, sente que isso é comum, humano. Um grande equívoco.

Meu sonho é poder viver em meio ao meu habitat sem que, todos os dias, ao andar de ônibus ou mesmo olhar pela janela, tenha que presenciar uma fumaça que leva vidas que ali habitam. Poder tornar essa riqueza ambiental, que mesmo pouca ainda existe, parte de um bem-estar social. Um grande passo é dar o primeiro passo e, quem sabe um dia, após esses dias cinzentos de pandemia, eu possa mobilizar jovens em prol da causa ambiental. Quem sabe um dia a juventude conquiste, de fato, sua voz e seu lugar. Quando nosso lugar de fala habitar neste condicionamento é que a dor ambiental será mais importante que o consumo em massa.

Davi Alexandre Schoenardie, 18 anos, Celso Ramos/SC

Queria morar numa cidade que valorize os coletivos, o uso compartilhado de dispositivos, os espaços públicos! Vivo em uma cidade que entende que sinônimo de desenvolvimento é muito voltado para a propriedade privada, para bens de consumo e tipos de experiências boas para quem pode pagar. Sinto falta da diversidade dos espaços, e como admiradora da cultura popular, sonho muito com uma cidade que valorize a própria regionalidade e a própria história, que valorize as experiências educativas e culturais, as bibliotecas públicas, os museus, as praias, os parques e praças, as ruas pensadas para o povo. Me entristece saber que a cidade é pensada para dividir pessoas, e que nem todos tem acesso a tudo. Me diz, como poderemos evoluir individualmente e coletivamente se estamos indo sempre aos mesmos lugares, conhecendo sempre as mesmas pessoas porque os espaços não são inclusivos? A forma como a cidade se organiza fala muito sobre isso. Uma cidade que pensa espaços onde possam circular livres afetos, livres culturas, livres corpos e outras formas de ocupar permite o contato entre diferentes modos de vida e isso nos faz aprender a sermos inclusivos na prática. 

Maria Luísa Nóbrega, 25 anos, Natal/RN

Minha cidade é chamada de “cidade maravilhosa”, mas, o que faz uma cidade ser realmente maravilhosa? É ter uma infraestrutura digna e planejada de moradia, onde não existam pessoas vivendo nas ruas ou em construções irregulares que vão abaixo sempre que chove. É conseguir contemplar todos os grupos sociais que vivem na cidade, oferecendo segurança para que essas pessoas possam andar livremente, sem sentir medo diariamente. É estabelecer uma conexão harmônica com a natureza, ao invés de destruí-la constantemente para subir concreto. É oferecer transportes públicos de qualidade e dignos para todes, sem fazer com que pessoas passem por situações desumanas e humilhantes diariamente. É cuidar do bem-estar da população, oferecendo um sistema de saúde digno e criando políticas públicas para cumprir com o dever de oferecer saneamento básico. São todas as medidas que ofereçam uma qualidade de vida para todas as pessoas da cidade. Mas, infelizmente, minha cidade vive exatamente o oposto do que deve ser uma cidade maravilhosa. Então, meu sonho é que seja construído um modelo de cidade onde todos esses pontos negativos desapareçam, para que existam realmente cidades e comunidades sustentáveis.

Júlia Motta, 19 anos, Rio de Janeiro/RJ

Sonho e desejo realmente que cidades e comunidades sejam sustentáveis, no modo mais abrangente e máximo possível, passando pelos aspectos ambientais, sociais, culturais, econômicos, alimentares, entre outros, não somente aqui no Brasil, mas no mundo todo. Sonho com cidades e comunidades acolhedoras, seguras, empáticas e que respeitem a diversidade de gente, as diferenças e singularidades de cada ser humano – nossas cores, origens, sotaques, sexualidades, pontos de vista – além de acolher a juventude, com suas propostas, vivências e dar maior oportunidade de atuação e serem ouvidas, ao invés de notícias sobre vidas jovens ceifadas devido à (in) segurança pública, por motivos de “foi (mais) um engano”…

Sonho também com cidades e comunidades que convivam de forma harmoniosa com o meio ambiente e que esses conhecimentos sejam ensinados desde cedo para as crianças, sobre a importância de cuidar do nosso habitat natural. Além disso, sonho com uma maior participação popular nas tomadas de decisão e que nossos gestores públicos nos escutem, sejam mais conscientes e compromissados e que não faltem oportunidades para, nós jovens, aprender e se desenvolver, sem perder as esperanças e força na luta por um um mundo melhor.

Larissa Martins, 23 anos, N. Sra. das Dores/SE

Sonho com uma cidade sem disparidades sociais e que o território favoreçam a equidade ao invés de reformá-la. Onde as pessoas possam expressar livremente sua individualidade, com muita diversidade, cultura, autenticidade, ao mesmo tempo que reconhece seu passado. Gostaria de não ser vista como estrangeira no meu próprio país, e que a inclusão de pessoas negras, indígenas, quilombolas, caiçaras e refugiadas seja real na mídia, no trabalho, no lazer, esporte e no acesso a direitos humanos universais.

Desejo que o Estado taxe sem dó os super ricos, redistribuindo o capital de volta pra sociedade, pela conservação do meio ambiente natural e dando um gás para a área de educação e iniciativas sustentáveis em geral. 

Meu sonho é que todas tenham moradia digna e que ninguém perca vidas e pertences por conta de enchentes e deslizamentos. 

Sonho que todas as mulheres se sintam completamente seguras para transitar pela cidade sozinhas a qualquer hora do dia ou da noite, e que possamos sentir que uma rede de apoio nos abraça, mesmo que sejam desconhecidos na rua. Meu sonho é que todas as pessoas tenham condições de sonhar com um futuro melhor como estamos fazendo aqui juntes.

Elissa Tokusato, 25 anos, São Paulo/SP

Acredito que as cidades e comunidades sustentáveis só cumprem verdadeiramente está função quando incluem de forma igual todos os habitantes, como uma forma principalmente de acesso à terra e ao território/cidade. Esse é o principal desafio das maiorias das cidades do nosso país, construir políticas urbanas que não reforcem as diversas formas de desigualdade. Para isso, é preciso considerar além das questões de habitação, a questão dos diversos tipos de mobilidades, do deslocamento digno, do direito ao saneamento ambiental e ao lazer para todos (sonho que gostaria de alcançar). 

Segundo o sociólogo Robert Park, as cidades são “a tentativa mais bem-sucedida do homem de refazer o mundo em que vive mais de acordo com os desejos do seu coração. Mas, se a cidade é o mundo que o homem criou, é também o mundo onde ele está condenado a viver daqui por diante. Assim, indiretamente, e sem ter nenhuma noção clara da natureza da sua tarefa, ao fazer a cidade o homem refez a si mesmo.”, por isso cabe a nós, habitante dessas cidades, mas principalmente desse tempo-espaço, nos refazer e assim recriar as cidades e comunidades que queremos. Outrossim, isso precisa ocorrer aliado à observância das políticas públicas e das suas execuções, para que cobranças sejam feitas e medidas efetivas sejam tomadas. A sociedade civil organizada precisa ocupar os diversos espaços de tomada de decisão, para que as cidades deixem de ser insustentáveis e contemplem a todos.

Ísis Fernanda Salles, 20 anos, Salvador/BA

Hortas e pomares comunitários, bancos de alimentos, permacultura, conexão harmônica com a natureza, espaços públicos que acolham as diversidades, acessibilidade para todxs em todos os lugares, infraestrutura digna e planejada de moradia, mobilidade e saneamento, maior participação popular nas tomadas de decisão, cidades e comunidades sem disparidades sociais, que favoreçam a equidade, que incluam todxs de forma igual. São variadas visões, ideias e propostas trazidas por diferentes jovens de diversas realidades, mas que também refletem um clamor maior em torno da pauta por cidades e comunidades mais sustentáveis, resilientes, justas e inclusivas, por cidades e comunidades que convivam harmonicamente com a natureza em vez de excluí-la e degradá-la, que respeitem, acolham e valorizem as diferenças em vez de discriminá-las, segregá-las e violentá-las, que sejam pensadas por e para todxs e não apenas por e para poucxs, enfim, que realmente reflitam e acolham as vozes e os anseios de todxs, incluindo das diferentes juventudes. Mas, e aí juventudes? Com que cidades e comunidades sustentáveis vocês sonham? Bora todxs juntxs lutar para que esses sonhos se tornem realidade?

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