Blog, Gênero Crescemos rápido demais?

21 de novembro de 2020

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Por Raiane Alves, Isabelle Dias, Madalena Oliveira Cecilia Andrade e Vitória Rodrigues

Você, querido jovem que está lendo esse texto agora, já parou para pensar em como foi a sua relação com o seu corpo na infância?! Em algum momento, você já deve ter se comparado com alguém da televisão, sendo de um programa de TV ou até daquele filme que passava na sessão da tarde. A mídia sempre passou a ideia de um corpo padrão, tanto para meninas quanto para meninos, só que a tempestade de pressão sobre o corpo das meninas sempre foi e ainda é muito grande. 

Somos impostas a brincar de bonecas, essas que não são o reflexo da sociedade brasileira: são magras, brancas e loiras. Na TV, temos mais e mais propagandas de mulheres que correspondem ao padrão mencionado. Nos anos 90 por exemplo, se você era menina, seu espelho era a Xuxa e as paquitas, se você era adolescente, possivelmente queria ser a nova loira do Tchan. Nós raramente nos sentimos representadas pelas meninas e mulheres que estão presentes nessa enxurrada de iniciativas de publicidade, especialmente quando se é uma menina negra. Onde estão as bonecas negras? Atrizes? Só se for no papel de empregada doméstica!

O famoso ditado em inglês “boys will be boys” que teria uma tradução “meninos serão meninos” deixa bem claro como a sociedade passa a mão na cabeça dos meninos e como eles podem fazer várias coisas, que se fossem meninas seriam condenadas. Meninas precisam estar sempre bem limpinhas, arrumadinhas e cheirosas, pois imagina deixar o vestido amassado? O filme Pequena Miss Sunshine, estrelado por Abigail Breslin mostra um pouco disso, ao trazer a realidade de meninas tentando se encaixar no padrão de um concurso de beleza.

É comum ver responsáveis dizendo às suas filhas para não comer muito, utilizar maquiagem e ser bela, recatada e do lar. Mesmo seguindo todas essas regras que os pais têm o costume de reproduzir, nunca tá bom. Se você é muito magra, tá ruim! Se você tá muito gorda então… tá péssimo! Parece ser impossível satisfazer os desejos dessa sociedade patriarcal e que insiste em não formar meninas com direitos, mas sim em robôs que são e que reproduzem estereótipos machistas, ainda mais quando se é apenas uma criança.

Durante a infância, nós, meninas, temos diversas referências sobre o que devemos brincar: de mamãe, dona de casa, cozinheira e atendente de supermercado. Mesmo tão novas, somos praticamente obrigadas a crescer: gostar de meninos a fim de ter um namoro, cozinhar bem, e até mesmo se vestir como uma mulher adulta. Grande estrela de Stranger Things, Millie Bobby Brown, por exemplo, começou a usar roupas e modelos de maquiagem geralmente utilizados por mulheres muito mais velhas que ela, e ela é apenas uma adolescente.

No nosso Brasil, vimos Gabriella Abreu Severino, mais conhecida como MC Melody, sendo extremamente sexualizada pelo próprio pai para ter mais sucesso. A jovem, que nasceu em 2007, é frequentemente fotografada usando roupas apertadas, saltos altos, batons escuros e tons fortes de maquiagem. É uma maneira muito perigosa de se viver, pois além de reforçar os males da adultização precoce, outras meninas que se inspiram na jovem MC podem reproduzir esses estereótipos e sofrerem muitos impactos negativos com isso.

Hoje em dia, com as redes sociais e maior alcance de pessoas do mundo todo a vídeos e fotos, meninas e meninos que começam a passar por transformações em seus corpos, veem diariamente diversas imagens de padrões ideias em suas telas e poses que podemos considerar sexuais e isso faz com que queiram reproduzir, já que é uma forma de se destacar nessas redes, mas sendo menores de idade acabam chamando atenção de pedófilos podendo trazer sérias consequências. 

Não só de adultização de crianças vive o mundo, poucos ganham a grande mídia, mas existem meninas que tentam passar por essa fase sem precocemente virar uma mulher, MC Soffia uma rapper de 16 anos, vem a 5 anos fazendo músicas com várias críticas sociais e ainda sim se veste como esperado para cada fase de sua vida. Billie Eilish, uma cantora norte-americana, também vem a muitos anos dizendo sobre como era sexualizada e por isso escolhe roupas largas, segundo ela para que prestem atenção em sua voz e não em seu corpo.

O corpo não se desenvolve da mesma forma para todas as meninas, e isso pode gerar frustração ou ansiedade. Algumas garotas se desenvolvem cedo, muitas vezes ainda não estando preparadas para essas mudanças bruscas que impactam no cotidiano, como olhares indesejados de garotos ou homens, o que pode causar vergonha ou vontade de esconder o próprio corpo com peças apertadas ou roupas largas demais. Enquanto isso, outras garotas se sentem ansiosas esperando o dia que terão um corpo padrão, uma vez que ver outras garotas se desenvolvendo e a si não, também não é algo fácil, chegando a se perguntar: tem algo errado comigo? Mas não tem! Cada uma se desenvolve de um jeito único, e o melhor a se fazer é respeitar  nosso tempo.

Por isso, nós temos que nos juntar e parar de nos comparar uns com os outros. O importante é cuidarmos da saúde e respeitarmos nossa estrutura física! Não devemos ter vergonha de nós mesmos, nem deixar que as outras pessoas opinem sobre nossos corpos. Temos que cada vez mais nos empoderar e achar vozes tanto nas redes sociais como no mundo real que nos representem e nos inspirem, para continuarmos nesse processo de autoconhecimento e amor próprio 🙂

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