Por Ana Rosa Cyrus, Belém
Começo essa carta – vou optar por chamar assim, afinal a envio com sentimentos dos mais distintos e outra palavra não contempla a imensidão deles- com um questionamento: o que é ser jovem?
Assídua em diversas reflexões, essa pergunta tem feito surgirem inúmeros debates entre diversos grupos, como pesquisadores, movimentos sociais e ONGs. A busca por respondê-la, em inúmeras situações, é atravessada pela visão de que a juventude pode ser mensurada e analisada como uma fase de transição na qual as identidades dos sujeitos ainda não estão consolidadas. Essa forma de pensar contribui para a desvalorização desses atores sociais, pois não contempla seu potencial de atuação bem como as dimensões da realidade que estes representam. Contudo, se nos debruçarmos sobre a história das revoluções, é possível perceber que, geralmente, são os jovens os precursores de articulações e atitudes capazes de trazer as mudanças para a sociedade.
Investigações das mais distintas, análises das mais profundas ou mesmo métodos rebuscados e premiados não conseguem responder esse questionamento com tanta precisão quanto os próprios sujeitos que vivem a juventude.
O grande problema– diga-se de passagem o cerne dele- é que ninguém pergunta para a juventude o que ela é. Se debruçam sobre dados concretos, transcrevem falas que fazem sentidos em momentos precisos, capturam nossos momentos e assim acham que conseguem definir quem nós somos – sim, me incluindo na narrativa.
Diante de todas as provas que a juventude não pode ser vista apenas de um ponto ainda se insiste em afirmar que podemos ser representados por um conceito fechado. Falar isso parece óbvio mas não é.
A todo momento precisamos reafirmar para o mundo que nossas histórias e vivências são significativas, que não cabemos dentro de meras palavras que não indicam de fato a nossa pluralidade.
Gritamos de cada canto do mundo que a resposta não está nos livros– por hora- afinal ela está guardada dentro do que somos. Nós marcamos nossas andanças com expressões que emergem de nossas raízes e transcendem o plano em que nos encontramos.
Somos jovens de territórios e tempos distintos, de saberes e práticas de origens diferentes. Nascemos da cidade, do rio, da mata ou da terra. Pulsamos como o som do tambor. Construímos nossas narrativas girando o mundo, voando e traçando. Guardamos no peito de onde viemos para com o olhar projetar novos rastros.
Assustamos o mundo que está fora de nós pois saímos gritando onde lateja e dizemos como vamos parar dor. Sem pedir permissão. Transpiramos a busca pelo direito de estar onde queremos estar, o direito de dizer o que queremos, o direito de andarmos pelas estradas que fazem nossos corações baterem mais fortes.
Assustamos pois um mero conceito não consegue abarcar quem somos. Você, assim como eu, sabe que somos muito mais do que se pode escrever sobre nós.
Essa carta é para você que, jovem assim como eu, sabe a resposta da pergunta “o que é ser jovem?”.
Essa carta é um encontro para afirmar: somente a juventude pode dizer o que ela é. Somente a juventude pode entender o que ela é.
Enquanto insistirem em negar isso o que resta para eles– os que nos calam, nos violentam, nos encaixam em padrões ultrapassados e superficiais- é a dúvida.
E, quer saber? Eles que lidem com a dúvida pois seguiremos colocando no mundo nossas múltiplas verdades sobre quem somos.

Ser jovem é querer ultrapassar limites, desprender-se da tutela dos pais e tornar-se independente.
Ser jovem é querer correr contra o vento de cabelos soltos com uma roupa leve pra sentir o abraço do vento e o canto da liberdade sem se importar com a hora de voltar.
É querer se prender a alguém só pra descobrir que o que mais se presa na vida é a liberdade de alçar altos vôos a qualquer hora.
Ser jovem é ser forte, é conseguir enxergar o mundo por todos os ângulos, é ter sonhos e querer realizá-los, é ser ousado mesmo sentindo medo, é ter a arte de reinventar quando necessário, é ser estratégico, é estar imerso em um contexto de grandes desafios e complexidades. Ser jovem é sinônimo de energia, força e coragem!