Blog, Clima POVOS VULNERÁVEIS AO CORONAVÍRUS E CLIMA

24 de abril de 2020

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Por Engajamundo e organizações na construção da Greve Global pelo Clima Brasil

Uma crise não anula a outra. Na verdade, elas podem estar mais próximas do que imaginamos. 

No Brasil, 1 a cada 4 pessoas (mais de 52 milhões) vive com menos de R$ 420 por mês (IBGE, 2019) e esta situação fica ainda mais grave em momentos de crise, como a que estamos vivendo na área da saúde e que já vivemos há bastante tempo com as mudanças climáticas. 

A vulnerabilidade econômica está ligada a  outros problemas, como falta de moradia de qualidade, saneamento básico e condições mínimas de higiene. Isto significa que, mais uma vez, os mais pobres e periféricos são os que mais sofrem, realçando o racismo ambiental existente.

As dicas óbvias para nos cuidarmos não são tão óbvias quando olhamos para essas desigualdades. Água e sabão é apenas para quem tem acesso a água tratada, álcool em gel é para quem tem renda para aquisição do produto e manter-se isolado é possível somente para quem pode ficar em casa e ter seu ganha-pão garantido.

No país todo, emergem iniciativas de apoio que estão fazendo a diferença para as populações mais vulneráveis ao COVID-19 e a outras ameaças sociais, econômicas e ambientais, mostrando que a solidariedade está presente na sociedade brasileira e que há muito o que podemos fazer.

O projeto de Renda Básica Emergencial ganhou força como maneira de apoiar a população nas cidades, mas está longe de ser suficiente. No final de semana do dia 17, a discussão foi em torno dos indígenas, outro grupo altamente vulnerável nas cidades, com o Festival AmazoniaS, Festival Demarcação Já Remix, Abril Vermelho e tantos outros. Já nesta sexta-feira, dia 24, acontece a grande manifestação de jovens pelo clima, chamando a atenção de defender os defensores.

Nosso convite, então, é que cada um de nós utilize este momento para refletir em como podemos reverter a desigualdade socioambiental e voltarmos não ao “normal”, mas para um novo mundo com justiça climática.

Veja a seguir algumas das populações mais afetadas e algumas sugestões de como contribuir.

*Este documento foi construído a várias mãos (isoladas) e queremos estimular que siga assim. Se você tem alguma colaboração, escreva para: paispeloclima@gmail.com 

Referências gerais para você saber como apoiar:
» Manifesto da Sociedade Contra o Corona
» Emergência COVID-19 (Gife)
» Iniciativas sociais contra o CoronaVírus (Atados)
» #RedeSolidária (Abong)
» 14 formas de ajudar quem precisa durante a pandemia do coronavírus (Greenpeace) 

POPULAÇÕES EM VULNERABILIDADE NA CIDADE

A crise do coronavírus teve seus primeiros efeitos na cidade, onde há aglomerações de pessoas e a desigualdade socioambiental se vê de imediato. 

Somente a cidade de São Paulo possui 25 mil pessoas em situação de rua, de acordo com dados da própria Prefeitura. Isso sem contar as pessoas que possuem condições precárias de moradia. Por isso, há a preocupação de que a pandemia se espalhe com grande rapidez nas comunidades e nestas populações.

Agora, não devemos só ficar vendo, mas fazer algo. Há inúmeras organizações que estão se estruturando para apoiar essas populações. Veja formas de apoiar:

1. Pessoas em situação de rua

Ter acesso a água e comida é o básico para nos cuidarmos nessa quarentena, mas como garantir esses direitos às pessoas em situação de rua? Eis algumas ações que você pode fazer:

a. Faça doações financeiras a grupos ou associações de apoio à população de rua 

b. organize entrega de marmitas e água no seu bairro

c. coloque uma garrafa de água e uma de detergente em alguma praça ou poste do seu bairro (exemplo)

2. Catadores de Materiais Recicláveis

Prestadores de um serviço importantíssimo para a sociedade, os catadores de materiais recicláveis fazem parte da população em grande vulnerabilidade social e que não possui renda fixa, por isso frequentemente continuam trabalhando, mesmo expostos aos riscos do novo coronavírus. Iniciativas como a do Cataki incentivam a doação financeira, convertida em materiais de limpeza e cestas básicas para apoiar essas pessoas, providenciando um complemento de renda neste momento atípico. Outra iniciativa importante é a do Pimp My Carroça, que distribuir um kit de água e sabão para que catadores e população de rua em geral tenham acesso ao kit básico de higiene. 

3. Comunidades Periféricas

As periferias concentram quase um terço da população brasileira (IBGE). A alta concentração demográfica, aliada ao grande nível de informalidade faz com que este seja um local ideal para a disseminação do novo coronavírus. Assim, proteger a população mais vulnerável é não só uma questão de solidariedade, mas também de estratégia para conter a disseminação da COVID-19. Várias organizações estão se mobilizando para prover alimentos a quem mora nas periferias, permitindo que eles também continuem em casa. Você pode contribuir fazendo doações a essas organizações ou optando por comprar de pequenos comerciantes locais. Outra iniciativa interessante que várias pessoas estão fazendo é continuar a pagar a prestadores de serviço (como manicures, cabeleireiros, faxineiros) o mesmo valor que seria gasto no mês, mesmo que o serviço não seja feito. Desta forma, incentivam essas pessoas a ficarem e ajudam a girar a economia nas periferias.

Referências para saber mais e apoiar:
» Matchfunding ENFRENTE (Fundação Tide Setubal)
» Como será quando a Covid-19 chegar às periferias (Podcast Café da Manhã)
» A pandemia e a fome (Podcast Café da Manhã)
» Coronavírus é mais letal entre negros no Brasil, apontam dados do Ministério da Saúde (G1)

INDÍGENAS E POVOS TRADICIONAIS

Arte @pedroinoue

Veja no site COVID-19 e os Povos Indígenas do Instituto Socioambiental (ISA) uma lista com diversas iniciativas indígenas, em todo o Brasil, para dar suporte às comunidades indígenas brasileiras para enfrentar a pandemia do coronavírus. Na lista, estão representadas organizações de abrangência nacional, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), além de grupos regionais e comunidades locais.

Conforme explicado pelo site, os indígenas e moradores das florestas, no geral, estão mais vulneráveis aos impactos de doenças infecciosas, tendo um quadro de imunidade mais baixo e vivendo distantes de hospitais, o que aumenta ainda mais a importância do isolamento social no combate à propagação do coronavírus.

A quarentena, no entanto, fez com que essas comunidades perdessem muitas de suas fontes de renda, afetando a sua segurança alimentar, produtos de higiene e remédios.

“As feiras que eles costumam fazer para levantar verba foram canceladas devido à epidemia”, diz o site sobre os indígenas Guarani de São Paulo.

Além disso, por questões de segurança, em algumas aldeias os indígenas estão impedidos de sair, ficando assim completamente isolados e impedidos de realizar compras livremente. “É preciso ter um olhar direcionado aos povos indígenas com o aumento da pandemia mundial” diz a APIB.

Existem diversas formas de ajudar, desde entrega em pontos de coleta, como depósitos e transferências bancárias, além de diversas vaquinhas virtuais.

Referências para apoiar e saber mais:
» COVID-19 e Povos Indígenas (ISA)
» Saiba como ajudar indígenas e povos da floresta no combate ao coronavírus (ISA)
» 81 mil indígenas estão em situação de vulnerabilidade crítica em caso de exposição a Covid-19 (G1)

CRIANÇAS E JOVENS

Segundo as Nações Unidas, 7 milhões de pessoas morrem prematuramente todos os anos devido à poluição do ar. Destas vítimas, 600 mil são crianças. E, assim como a poluição, as mudanças climáticas também afetam desproporcionalmente as crianças e jovens, seja pelos próprios efeitos das catástrofes climáticas, gerando processos de migração climática e até perdas de familiares, como também da saúde mental, gerando ansiedade climática.

Segundo a Academia Americana de Pediatras (AAP), as crianças sofrem mais em desastres naturais, de doenças alérgicas e asmáticas decorrentes da poluição do ar, insegurança alimentar e hídrica, e ondas de calor.

Isso acontece porque seus sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento, deixando seus corpos em rápido crescimento mais sensíveis a doenças e poluentes ambientais. Proporcionalmente a seus tamanhos, elas respiram, comem e bebem mais, passam mais tempo ao ar livre e não estão emocionalmente maduros para lidar com a crise ambiental que já é visível.

Entre as vulnerabilidades listadas pela Academia Americana de Pediatria estão:

  • Piora nos sintomas de alergia e asma e aumento da frequência desses problemas.
  • Estresse psicológico, especialmente para as crianças que vivenciaram eventos extremos como inundações, queimadas e furacões.
  • Má nutrição e insegurança alimentar. Pesquisas apontam que, quando cultivadas sob altos níveis de CO2, alguns alimentos perdem proteínas e nutrientes essenciais, como o ferro e o zinco.
  • Crianças são mais suscetíveis a doenças infecciosas, como cólera, malária, zika e dengue. Com as mudanças climáticas, os vetores dessas doenças estão chegando a regiões onde não tinham condições de sobreviver.
  • Problemas neurológicos decorrente da exposição a poluentes.

Quando falamos da pandemia do coronavírus, os estudos ainda são inconclusivos, mas demonstram que crianças e jovens estão menos vulneráveis aos efeitos e letalidade do vírus. No entanto, dadas as condições de poluentes ambientais e as desigualdades sociais no Brasil, mais e mais crianças e jovens podem estar suscetíveis aos riscos dessa pandemia, em especial elas em situação de rua, em acolhimentos institucionais, no sistema socioeducativo, em condições de violência doméstica e em outras condições de vulnerabilidade social delas e de suas famílias.

Mais ainda, com as injustiças socioambientais, crianças e jovens estão muitas vezes em ambientes insalubres, com falta de água tratada e estruturas adequadas para os devidos cuidados que estão sendo indicados durante esta pandemia. 

Vale lembrar também que, para cuidar das crianças e jovens durante esta pandemia, precisamos cuidar de quem cuida delas, garantindo renda, saúde física e mental para seus pais, avós e cuidadores. 

Referências para apoiar e saber mais:
» ONU pede maior proteção para crianças atingidas pela crise da COVID-19 (ONU Brasil)
» Pandemia de coronavírus: como proteger as crianças? (Lunetas)
» COVID-19: se não garantirmos o bem-estar e a saúde dos adultos, quem cuidará das crianças? (Prioridade Absoluta)
» Conanda publica recomendações para proteção de crianças durante pandemia
» Coronavírus (Ifan)

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