Blog, Clima, GTs Paris já começa as discussões para a COP21

10 de novembro de 2014

Compartilhar

FacebookTwitterPinterestLinkedInEmail

tags:

, ,

Por Lucas Valente, articulador do Engaja desde Paris.

No último dia 6 de novembro, no auditório da Sciences Po, em Paris (sede da COP21), ocorreu a conferência inaugural do ciclo de palestras “Economistas lidando com as mudanças climáticas” com a presença de importantes figuras, entre eles Nicholas Stern, da London School of Economics, Presidente da Academia Britânica e autor do Relatório Stern, um estudo sobre os efeitos das mudanças climáticas na economia mundial.

A introdução contou com a presença do presidente da Sciences Po, Frédéric Mion, da embaixadora para negociações de clima da França, Laurence Tubiana, e da Ministra de Ecologia, Desenvolvimento Sustentável e Energia, Ségolène Royal.

Primeiramente, Frédéric Mion ressaltou a importância do laço com a sociedade civil para propor soluções e, em vistas disso, anunciou o projeto “Paris Climat 2015: Make it Work”. É uma iniciativa para discutir, na academia, o processo de Paris 2015 que contará com uma simulação estudantil da conferência em maio no ano que vem. Com isso, ele pretende dar mais visibilidade a pesquisadores do tema e manter um debate de alto nível até a conferência em si. Na mesma linha de raciocínio, Tubiana, que é Diretora do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Sciences Po, destacou a importância de uma boa formação intelectual na preparação para a conferência, dizendo que não se pode olhar apenas nas políticas de poder.

Em seguida, Ségolène Royal tomou a palavra e o tom foi de conciliação entre desenvolvimento econômico e proteção natureza, a que ela chamou de “crescimento verde”. Nesta “economia verde”, termo do Banco Mundial, uma transição energética se faz necessária e as empresas estão se engajando na mudança: o crescimento verde é a nova fronteira econômica. Em um discurso muito ciente das mudanças climáticas, citou o desaparecimento de Estados insulares e comentou que as consequências dessas mudanças já podem ser sentidas e exemplificou com as perdas de 2,9 bilhões de dólares que a Sony sofreu em decorrência de inundações na Tailândia em 2011.

Royal disse que devemos lutar contra a obsolência programada e passar a uma economia de funcionalidade, onde todos precisam se mobilizar. Afinal, temos agora uma chance de reduzir os gases de efeito estufa, uma chance de reduzir o consumo de petróleo, uma chance de estimular a inovação tecnológica e uma chance de desenvolver novos mercados e gerar novos empregos.

Enfim, o ponto alto da conferência foi a fala de Nicholas Stern. Ele chamou a atenção para o título da conferência em si, “Crescimento, Clima e Colaboração”, falando da importância em uma discussão dinâmica e colaborativa. Segundo ele, o Acordo de Paris deveria ser baseado no conhecimento de quatro pontos chave: a) ciência (escala, riscos, perigos na demora); b) escala da mudança (atração para a transição a um baixo consumo de caboto); c) acesso igualitário ao desenvolvimento sustentável; d) a estrutura do Acordo, dinâmica e colaborativa.

Mudanças climáticas começam com pessoas e terminam com pessoas: atividades humanas geram os gases de efeito estufa; as concentrações de gases aumentam e inicia-se uma reação em cadeia, pois o CO2 tem uma vida longa na atmosfera; essas altas concentrações geram as mudanças climáticas e aumento de temperatura; essas mudanças afetam os humanos, com as conseqüências devastadoras.

Stern destacou que a ciência molda a economia, a ética e a política. É a ciência que aponta para onde temos que ir com nossa economia; é a ciência que fala das consequências para amanhã do que fazemos hoje (ética); e é a ciência que define a discussão política, pois estamos falando de um bem comum onde é a soma total que conta, a ação colaborativa. Em uma parte um tanto controversa de sua fala, ele disse que a maioria das negociações é feita por Ministros do Meio Ambiente, mas que, em realidade, deveria ser feita por ex-presidentes, ex-ministros de economia, prefeitos e líderes empresariais quem deveriam discutir, pois são eles, afinal, os tomadores de decisões econômicas.

Em seu discurso, permeado de dados de seu Relatório, Stern mostrou-se preocupado pois quando mais se demora para agir, pior a situação se torna, já que os riscos e os custos aumentam. No entanto, está confiante: “Com a liderança de Laurence Tubiana, temos uma chance de um bom acordo em Paris. É tempo de investirmos no futuro.”

Essa conferência, que é apenas a primeira de um ciclo de palestras sobre e o tema, mostra como preparação com antecedência é importante para um eventual sucesso das COP. Com personalidades da academia, do governo, e de pesquisadores do tema, a discussão foi rica e  produtiva. Sem dúvida, a simulação que ocorrerá em maio poderá auxiliar os negociadores franceses pelo menos, a tentar chegar a um acordo. Pelo menos da parte dos presentes, vontade é o que não falta.

FacebookTwitterPinterestLinkedInEmail

Buscar