Blog, Clima, GTs Carta aberta da juventude brasileira presente no Climate Reality Training no Brasil

6 de novembro de 2014

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Nós, jovens brasileiros que tivemos a oportunidade de comparecer a este importante evento, agradecemos a organização por poder estar aqui. Não é sempre que podemos interagir com um grande número de pesquisadores e ativistas com o mesmo interesse, dispostos a promover a mudança e se tornarem líderes climáticos.

São poucos os espaços com tantas mentes e personalidades lutando pela mesma causa e buscando sair da teoria e partir para a prática. A juventude é hoje ¼ da populacão brasileira e raramente é representada na mesma proporção. Já que estamos falando de representação, onde estão os negros, ribeirinhos, mais povos indígenas e outros segmentos dos povos e comunidades tradicionais aqui entre nós? Sem falar na população que beira a pobreza, que, segundo a ONU, é a mais vulnerável a estas catástrofes climáticas aqui neste evento apresentadas.

No momento, temos o sentimento de que não precisamos ser convencidos em atuar em relação às mudanças climáticas, pois se estamos aqui é porque já o fazemos. Podemos fazer mais do que disseminar ideias e nós, que vivemos hoje na era da internet e atuamos em rede, não aceitamos mais ser apenas receptores. Tanto se fala em inovação como um ponto essencial para solucionar a crise climática, então vamos pensar em reais soluções inovadoras:

Devemos, por exemplo, considerar que há externalidades transfronteiriças e que a proposta de economia de baixo carbono é uma das soluções, não a única resposta.  Os impactos sociais, ambientais e humanos, e as assimetrias internacionais devem ser consideradas.

Energia eólica e solar são partes integrantes de uma solução, porém muito menores do que a verdadeira mudança de paradigma que é necessária para o desenvolvimento sustentável, com diferente padrão de consumo e mudanças estruturais nas prioridades na economia.

Antes da COP21 em Paris, ainda temos a COP20 em Lima, que acontece daqui a menos de 1 mês e já é conhecida como a COP da Amazônia. O desmatamento é um dos grandes problemas de nosso país, precisamos aprofundar mais os conceitos de REDD e REDD+ buscando refletir sobre as reais soluções dentro da temática de florestas.

Estes dois dias percebemos que a adaptação é uma grande prioridade, mas não foi devidamente considerada aqui. Comunidades já vivem consequências das mudanças climáticas que impactam principalmente as pessoas que não estão representadas nessa sala. A mitigação, por estar dentro da abertura de novos mercados, sempre é priorizada, já a adaptação não cria tantos nichos de mercado e acaba ficando marginalizada. Ambas devem caminhar lado a lado rumo a um futuro melhor.

Temos acompanhado as negociações climáticas e a atuação do Brasil nelas. Existe um abismo entre o discurso apresentado internacionalmente e as políticas públicas e práticas implementadas pelo governo a nível nacional. O artigo 6 da UNFCCC, por exemplo, trata de educação, treinamento e participação, e nunca foi devidamente implementado no Brasil. A educação sobre mudanças climáticas está longe de ser uma prioridade no ensino público e privado de nosso país.  

Por isso a enorme importância de estamos aqui reunindo 800 pessoas com a intenção de criar multiplicadores para disseminar está temática. Mas, especialmente considerando a realidade local, precisamos sair daqui empoderados para sermos também parte da solução e não só replicadores de uma mesma metodologia construída há tanto tempo.   

Nós jovens viemos ansiosos, impacientes e inquietos cobrando uma atuação e ação efetiva, porque essas negociações de clima já levam quase 20 anos, com nenhuma redução de emissões e nos condenando a um futuro de crise climática. Nós estamos aqui abertos a lidar com os seus passivos, mas precisamos e queremos mudar e aprender para garantir um futuro de qualidade e com segurança ambiental, social e climática; comida, água e energia  para todos. Não se trata de uma reforma do atual sistema, mas de uma quebra de paradigmas que proponha e execute mudanças e avanços em novos modelos.

Por que, por que não ouvir os jovens, ouvir as pessoas?

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