Blog, Clima, GTs Discurso “Climate Summit”

23 de setembro de 2019

Compartilhar

FacebookTwitterPinterestLinkedInEmail

por Paloma Costa

Obrigado Sr. Secretário-Geral,

Meu nome é Paloma Costa e sou do Brasil.

 Sou defensora socioambiental, ciclo ativista, educadora climática e mobilizadora de jovens. Testemunhei como as comunidades indígenas, tradicionais e outras pessoas vulneráveis, especialmente as mulheres, estão sendo impactadas pela crise do clima.

 Um grande líder indígena do Brasil disse recentemente que os indígenas resistem desde o início. E nós? Os jovens estão mobilizados, não vamos trabalhar com indústrias que desmatam as florestas, não vamos ficar calados, já mudamos nossos hábitos e você não está nos seguindo. Os povos indígenas têm todo esse conhecimento e conexão com a nossa terra e ainda não conseguimos ouvi-los. Eles se unem para proteger seu território, por que não podemos fazer o mesmo para proteger nosso lar?

Nas poucas semanas, o mundo assistiu horrorizado os incêndios na Amazônia. Vi o mundo inteiro mandando orações por nossas florestas e nossos povos indígenas lutando pela sobrevivência. Mas rezar é inútil, nós precisamos agir. Não estou vendo ninguém parar as queimadas. Então, eu me pergunto: precisamos ver a Amazônia devastada pelo fogo para começar a fazer algo?

Desde a minha primeira greve climática com a Greta na COP24, meio bilhão de árvores foram destruídas na Amazônia. E as pessoas ainda me perguntam se tenho medo de defender nosso meio ambiente, já que os defensores do meio ambiente vivem em constante  perigo. Bem, eu não sinto! Tenho medo de morrer por causa da crise climática que tem se instaurado.

Estamos vivendo uma emergência climática e está afetando nossa segurança alimentar, nossa saúde e nossas vidas. E temos as soluções para resiliência e mitigação.

O próprio secretário-geral estabeleceu um desafio para o mundo e eu tenho trabalhado em colaboração com a ONU para ajudar, através do grupo de trabalho para jovens criado para ajudar a realizar a Cúpula do Clima da Juventude no sábado. Eu sei que todos aqui estão prontos. Vamos simplificar e começar a transformar soluções de implementação por meio de compromissos e políticas eficazes.

Eu quero que todas as nações declarem uma emergência climática, e isso começará a ser a prioridade número a todos os líderes. Minha exigência não é uma mera declaração simbólica, mas um compromisso genuíno com o meio ambiente e com as populações tradicionais, que a protegem há séculos e que ainda estão sendo oprimidas.

Continuarei educando os jovens, defendendo os direitos humanos e ambientais, ouvindo meus colegas e povos indígenas para construir a agenda climática no Brasil sem desculpas. Agora é a sua vez de fazer história e tomar medidas urgentes para garantir um futuro seguro e habitável. Vamos fazer isso juntos.”

FacebookTwitterPinterestLinkedInEmail

Buscar