Blog, Clima, Juventude e Política Como os jovens podem contribuir para acelerar as mudanças transformacionais que precisamos ver em nível nacional?

21 de agosto de 2019

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A Semana de clima para a América Latina e Caribe está acontecendo em Salvador. Hoje, durante a plenária oficial de abertura nos foi perguntado como a juventude poderia contribuir para acelerar as mudanças que precisam ser vistas em nível nacional. Eis o que Kinda van Gastel, coordenadora da rede teve pra dizer a UNFCCC:

“Agradeço o convite da pergunta e aproveito a oportunidade para uma réplica: para que nos perguntar se em suas práticas não nos dão o espaço suficiente para colocá-las em ação? Mesmo aqui, evento regional da América Latina da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) ainda continuamos a dar voz para homens brancos, velhos e europeus. A mesa de abertura desse evento foi exemplo disso. Não falarei mais deles aqui, pois para a juventude nos é dado minutos e não temos tempo a perder. A crise climática urge. Precisamos lembrar que falar dela é falar do impacto nas vidas das pessoas e ecossistemas. E quais são as vidas mais afetadas? Elas estão sendo aqui ouvidas? É dado a elas o direito de deliberar os rumos das políticas públicas enquanto sofrem as consequências de escorregamentos, enchentes, enquanto invadem suas comunidades quilombolas, perdem sua produção agrícola, desapropriam e destroem terras indígenas? Afinal, segundo a própria ONU os mais vulneráveis são as mulheres e os mais pobres. Além do diálogo, é necessário que nós possamos ocupar os espaços de decisão porque só nós podemos falar por nós mesmos.

Enquanto juventude, não mais esperamos os seus caminhos. Acreditamos que mudando a nossa realidade individual, ao nosso entorno e com ferramentas políticas acessíveis podemos mudar nossa realidade coletiva. Para os que falam que a juventude só aponta problemas, estivemos antes da CW numa imersão co construindo o Educlima: projeto de educação climática, cujo projeto piloto ocorrerá em Natal-RN e que, se contar com financiamento, correrá o Brasil. Enquanto cobramos mudanças, agimos para responder os principais déficits que encontramos. Sem a juventude informada e consciente não há possibilidade de futuro sustentável.

Ainda sim, nos perguntamos como é possível, em meio uma crise haver ainda descrédito e desmobilização. Imagino que todos tenham na sua lembrança de infância uma árvore ou local da natureza que foi e faz parte do que constitui seu eu de hoje. Imaginem se ela fosse destruída, simplesmente arrancada. É impossível não sentir essa dor. Como podem fechar seus olhos e não se sensibilizar com toda destruição que vemos acontecer – e temos dados que comprovam – a troco de lucro e poder? A fumaça que escureceu São Paulo é apenas a materialização da cegueira com que alguns decidem viver todos os dias. É apenas um pequeno “desastre” diante da escala de atrocidades que acontece com a grande Pachamama a cada minuto. É um lembrete constante de que o problema climático atravessa fronteiras e por isso, é também de nossa responsabilidade: É preciso pensar soluções reais e mais que isso, agir. Procurar caminhos e quando não existirem, co criá-los. Ocupar os espaços que afetem nossas vidas e quando não nos forem dados, os governantes precisam entender a razão do nosso grito, da dança e do canto. Como diria nossa amiga Hamangaí, mulher jovem indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe “Nós não somos o futuro, somos o agora”. Cansamos de esperar que vocês deixem o dever de casa sempre para amanhã. Estamos fazendo isso por nós, talvez pelos nossos filhos, mas com certeza também pelos seus.”

 

 

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