Blog, Clima, GTs Precisamos de apoio mundial para lembrar ao governo brasileiro que ações sobre as mudanças do clima não são uma opção

14 de março de 2019

Compartilhar

FacebookTwitterPinterestLinkedInEmail

tags:

Texto escrito por Igor Vieira, articulador de Recife

2019 tem sido um ano e tanto para o Brasil. Em apenas três meses do novo governo, os brasileiros têm muito o que questionar. O presidente eleito diminui a importância da discussão sobre mudanças climáticas, o secretário de meio ambiente foi condenado por improbidade administrativa – em um caso de favorecimento de empresas mineradoras -, e uma onda conservadora engole o país.

Nos três primeiros meses do ano muita coisa aconteceu. Vamos tentar resumir alguma das mudanças baseadas no novo modelo de estrutura do ministério do meio ambiente proposto pelo governo. 40 anos de legislação ambiental e progressos relacionados à proteção do meio ambiente reconhecidos ao redor do mundo foram ignorados, fazendo com que o próprio ministério do meio ambiente perdesse muitos dos seus direitos políticos e, pior, o colocando como dependente de pastas onde paira o interesse econômico. Este é um reflexo claro da pouca preocupação do governo com a pauta ambiental.

De forma geral, a reestruturação do Ministério do Meio Ambiente o colocou sem autoridade para formar e gerir políticas, não existindo mais diretrizes de combate ao desmatamento e não se enfatiza mais programas para as populações indígenas. A pasta também não conta com atribuições para o combate à desertificação e queimadas, desbaratando o Departamento de Educação Ambiental e excluiu temáticas como responsabilidade ambiental, produção e consumo sustentável. O departamento sobre desenvolvimento sustentável não funciona como antes e a gestão pública e política de recursos hídricos foi movida para um outro ministério, o de Desenvolvimento Regional.

Sobre mudanças climáticas a situação é desanimadora. Este tema basicamente sumiu do Ministério do Meio Ambiente, sendo redirecionado menções tímidas em atribuições dos Ministérios da Agricultura, Economia e Ciência e Tecnologia. Não sabemos ainda quem vai conduzir as negociações internacionais sobre mudanças do clima, que era atribuição da pasta ambiental. E, para completar, o atual chanceler do estado brasileiro é negacionista das mudanças do clima.

Esse novo desenho de gestão política ambiental é problemático. Separa temas chave, como desmatamento e mudanças climáticas, e preocupa ambientalistas, uma vez que o enfraquecimento da política ambiental brasileira, acontece ao mesmo tempo que as taxas de desmatamento voltaram a subir: o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), alertou que em 2018 se destruiu 7.900km² de floresta amazônica.

De janeiro a março, terras indígenas sofreram constantes ataques, vivenciamos um novo desastre ambiental relacionado à barragens de minério e, indiscriminadamente, mais de 74 novos agrotóxicos entraram no mercado brasileiro após liberação do governo. Atualmente, mais de 2.000 produtos agroquímicos são liberados para comercialização no Brasil. Pesticidas que, em grande parte, são proibidos ao redor do mundo por estarem associados a incidência de câncer e alterações genéticas.

Diante desse cenário a juventude brasileira tem tentado se organizar para combater e acompanhar os equívocos que a atual gestão inflige ao país. Em 2018, na COP 24, que aconteceu na Polônia, a juventude brasileira fez uma campanha pedindo para que jovens do mundo todo pressionassem os tomadores de decisão dos seus países, para vigiar e tentar influenciar os responsáveis brasileiros, a fazerem o que é certo: o caminho em direção à justiça climática.

Queremos continuar a construir pontes porque nosso objetivo é um só, e erros não precisam ser repetidos. Pedimos que o Reino Unido vigie para que não haja mais um lobby de empresas britânicas de óleo como a Shell, BP e Premier Oil no Brasil, como aconteceu em 2017, ainda no governo de Michel Temer, através da visita do então ministro do comércio britânico Greg Hands. Queremos também que as empresas de agrotóxico, muitas delas europeias, não se rendam ao mercado permissivo criado pela gestão brasileira. O Ministério da Saúde do país registra aproximadamente oito casos de intoxicação por agrotóxicos a cada 24h, e estima que para cada um desses, outros 50 não são registrados. Estamos falando de vidas de pessoas vulneráveis e, com seu apoio, podemos tentar fazer diferente.

Na melhor forma de dizer que “nós somos imparáveis, um outro mundo é possível” nos inspiramos na força da pequena Greta Thunberg, que definiu um novo capítulo na luta mundial pela justiça climática através de greves estudantis pelo mundo. Greta foi na frente do parlamento sueco protestar para que seu país cumprisse o Acordo de Paris, seu movimento inspirou milhões de jovens e estudantes ao redor de todo o mundo e as paralisações acontecem desde então. No dia 15 de março, a juventude brasileira estará unida ao mundo, enfrentando de frente os responsáveis por essa crise, dizendo que basta. Vivemos um momento delicado e é preciso tratá-lo como tal, como diz Greta. Não se pode permitir que as grandes indústrias,  lobistas e países ricos não compromissados nos afundem ainda mais.

A mudança do clima corresponde ao maior colapso já enfrentado pela humanidade, e a sobrevivência do planeta depende do controle deste fenômeno. A situação é alarmante mas a juventude está disposta e na linha de frente desta luta. Por isso, neste 15 de março, os jovens brasileiros se unirão ao movimento global no  #fridaystrikeforclimate dentro da acão #GlobalClimateStrike. As paralisações acontecerão nas cidades de Juazeiro do Norte, Belo Horizonte, Florianópolis, Goiânia, Recife, Rio de Janeiro, Santa Maria, Imbém, São Paulo e Brasilia se você estiver no Brasil.

A quase supressão da governança socioambiental e climática nos primeiros meses de governo no Brasil é preocupante e sem sentido. Não há uma razão justificável para que o país se afaste do desenvolvimento sustentável e da tentativa de construir uma economia limpa. O país, que é o sétimo maior emissor de carbono do mundo, não pode abandonar seus compromissos para cessar as emissões de carbono. Fazer isto é colocar as vidas de milhares de brasileiros e do mundo inteiro em risco. O que queremos é justiça climática, e queremos agora porque o futuro é hoje.

Para participar das paralisações no Brasil informações no @fridaysforfuturebrasil

FacebookTwitterPinterestLinkedInEmail

Buscar