Blog, GTs O que você, a água, o asfalto e a floresta têm em comum?

21 de março de 2020

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Hoje, dia 21 de março, é comemorado o Dia Internacional das Florestas, e, amanhã (22), o da Água. O Dia das Florestas foi criado em meio a diversas conversas na Assembleia Geral da ONU e, até onde sabemos, não tem relação direta com o Dia Internacional da Água. Mas um ser assim, do ladinho do outro, faz todo sentido! Afinal, florestas têm um papel fundamental no ciclo da água, e vice-versa.

Pega a Floresta Amazônica, por exemplo. A água nasce, dança livre pelos rios, cresce em forma de nuvens e viaja através dos incríveis rios voadores para outros lugares, chegando em regiões distantes do continente sul americano, como o centro-oeste, o sudeste e o sul do Brasil. Tem mais água evaporada nesses rios no céu do que água líquida naqueles que correm pelo chão da Amazônia. Dá para acreditar?

Além de contribuir para a geração de chuva, as florestas também ajudam a terra a guardar a água que cai. As raízes das árvores permitem que água infiltre no solo e abasteça os aquíferos e lençóis freáticos. Depois, em épocas de seca, elas – e nós, humanos – usam os lençóis para matarem sua sede. Como sempre, a natureza não dá ponto sem nó.

Só que esse ciclo natural está em risco. A história da urbanização acompanha o histórico de desmatamento. A Mata Atlântica, predominante no sul e sudeste mas que é nativa até o nordeste, conta hoje com menos de 20% de sua cobertura original. Isso fez com que a crise hídrica vivida em São Paulo em 2015 fosse pior: sem a floresta protegendo os rios e margens dos reservatórios, eles sofrem mais com a erosão e assoreamento, piorando a qualidade da água e aumentando os custos para o seu tratamento.

E hoje, depois de séculos de desmatamento, enfrentamos ainda mais um agravante: o aquecimento global. Diante dos efeitos da crise climática, tudo aquilo que a gente entende como normal, não é mais normal. A alteração do regime de chuvas é um desses sintomas, que tem feito, nesse último verão, diversas cidades verem o céu derramar mais água em menos tempo, logo após períodos longos de seca. O sudeste do Brasil foi uma das regiões mais afetadas por essa alteração.

Em Iconha, cidade pequena no Espírito Santo, o rio que corta a cidade subiu cerca de 4 metros, chegando em alguns pontos da cidade a alcançar até o segundo andar das casas. A cidade foi completamente devastada, 6 pessoas morreram e mais de 700 famílias ficaram desalojadas. Na capital mineira, Belo Horizonte, não foi diferente, segundo a Defesa Civil, cerca de 55 pessoas morreram e quase 9 mil ficaram desabrigadas.

O que temos visto é que conforme as cidades vão crescendo, cada vez mais elas tendem a ser suscetíveis a enchentes quando as chuvas atípicas ocorrem. Inicialmente, essas chuvas surgem como um alívio por amenizar as altas temperaturas e, em instantes, com o aumento de sua intensidade e falta de infiltração no solo, ela pode tornar tudo um cenário pós apocalíptico. Chover para muitos tem se tornado sinônimo de não existir um amanhã seguro pra chamar de nosso e o questionamento que fica é, porque na floresta mesmo chovendo horrores a chuva segue fortificando a terra e nas cidades não? Por que quando chove forte, um pouco além do normal, as cidades ficam submersas, especialmente pensando que chove desde que o mundo é mundo?

Pois bem, é que no meio do caminho das cidades tinha um rio, na verdade, vários rios. Hoje a cidade que a gente vê, cheia de casas, prédios e muito MUITO asfalto, cobre rios e substitui florestas, que antes escoavam e absorviam grande parte da água advinda das chuvas, independentemente de sua intensidade. As cabeceiras da maioria dos rios estão impermeabilizadas e a vegetação que ficava ao redor desses rios foram retiradas, e a água que cai no solo fica sem condições de infiltrar no solo e ser absorvida.    Por sua vez, também vemos que as estratégias de conservação e prevenção das cidades não saem do papel ou simplesmente nunca chegaram a estar num papel como uma política pública. As cidades foram construídas sem pensar no ciclo da água, e que o que hoje é cidade no fundo é terra, e anseia sempre, em estar na lógica da floresta. E hoje, grande parte das cidades, ainda não são geridas para todos que nela vivem, e muito menos estão adaptadas aos efeitos da crise climática.

Fica muito nítido quem são as pessoas afetadas pela crise climática e da água, seja quem não tem acesso a água de qualidade e com frequência ou a quem sofre pelos efeitos pós chuvas atípicas. Essas pessoas majoritariamente são pobres, são mulheres, são negros e vivem em regiões que o Estado não faz questão de entrar – oficializando assim que algumas vidas valem menos do que as outras. Não é a toa que regiões mais ricas são historicamente as regiões mais arborizadas das grandes cidades, bem como também são as regiões que mais possuem políticas públicas em curso e maior capacidade de resiliência a desastres

Devemos pensar em soluções baseadas na natureza como ferramenta de estratégia de mitigação e adaptação frente aos problemas ambientais citados, assim como a melhorar a vida daqueles que vivem à margem da precariedade social. A respeito alguns exemplos de como podemos utilizar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos como mecanismo de impacto positivo para enfrentar as crises ambientais e climáticas, melhorando a qualidade de vida urbana os quais fazem parte da infraestrutura verde e azul são: a revitalização dos rios, córregos urbanos e sua mata ciliar, manutenção dos aquíferos e mananciais,criação de novas áreas verdes e parques urbanos e incentivos a tecnologias para aumentar a infiltração do asfalto. Sendo assim, algumas soluções para transformarem as cidades em locais resilientes e sustentáveis.

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