Blog, Juventude e Política O desafio da falta de representatividade jovem na política brasileira

13 de agosto de 2018

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Por Igor Vieira

As eleições estão chegando e precisamos ter uma conversinha: O que você sabe sobre política? Não vale mais a saída à francesa do “não entendo de política, prefiro me abster”. Para alguns corpos, viver é por si só um ato político! Dentro de tantas opções e propostas que parecem trazer certa representação e acabam resultando num grande nada, como escolher?

Talvez a  juventude precise mudar a chavinha e começar a entender a política para além das instituições que imaginamos que controlam tudo. Isso deve surgir com a percepção de que você seja lá quem for, pode e deve fazer política!

O poder político brasileiro precisa ser reestruturado em um modelo que não seja o patriarcal – atualmente a grande maioria das pessoas que fazem política e ocupam as cadeiras de decisão são homens velhos e os filhos homens destes mesmos senhores. Esse é um dos grandes motivos da ausência de representatividade: até mesmo quando temos candidatos jovens na disputa, os ideais são os de um homem mais velho ou de sobrenome por trás, “apoiando” essa candidatura/cargo. Precisamos de pluralidade nestes espaços, precisamos de gente que saiba o que é ser jovem e o que é se preocupar com o futuro que está por vir.

A juventude brasileira tem uma grande ferramenta a seu favor: o incômodo, a indignação e a vontade de mudança. A decepção com essa galera que está no poder e a forma que as decisões políticas são tomadas durante tanto tempo é a maior força de motivação para a participação das diferentes juventudes nessa nova jornada que cá entre nós, está muito séria e bastante delicada.

As diversas crises políticas em que o Brasil tem mergulhado desde 2013 e que vem transformando o futuro da juventude no país tem sido um despertar para que os jovens brasileiros busquem mais representatividade e, sobretudo, se enxerguem como agentes de mudança, na ânsia por iguais tomando decisões que definem a forma que vivemos a vida. A apatia da juventude em relação à política se dá principalmente em como os partidos políticos ignoram em sua maioria, nossas questões e posicionamentos, nos colocando enquanto pautas secundárias, não trazendo ideias inovadoras e que levem a mudanças reais. Não somos nós que ocupamos as posições políticas desse país, mas seremos nós que viveremos o futuro. Somos a chave para a mudança com representatividade de todas as vozes. Se a política define o futuro, nós que definiremos a política.

A forma e a quantidade de discursos e debates sobre a situação atual, junto à ansiedade pela chegada do período eleitoral pode ser vista com otimismo. Existe mais gente disposta a apontar a forma que se naturalizam as desigualdades brasileiras, e, a juventude tem sido porta voz dessa discussão que questiona preconceitos e levanta uma visão cada vez mais empática, de forma lenta e gradual, mas ainda assim, empática.

Levanta-se então um recorte necessário: vivemos no país que mais mata humanitários,  ambientalistas, mulheres trans e travestis no mundo e são os jovens que têm se mobilizado em todos os lados do país denunciando abusos e participando dos diálogos. Com isso, muitas plataformas de informação têm surgido para embasar a escolha de nossos próximos representantes: plataformas como o #merepresenta e a virada política, que desempenham um papel fundamental para espalhar a ideia da nova política que precisamos, uma política feita horizontalmente, e, consequentemente, plural.

O acesso à informação e a facilidade de compartilhar ideias na internet tem feito com que muitos de nós não precisemos necessariamente de um representante político que defenda ideais x ou z, isso nos tem permitido ter protagonismo num debate que nos diz total respeito e não é apenas a criação de uma “ala jovens” dentro dos partidos que vai nos levar ao tema, é o uso de uma linguagem mais acessível e a inclusão da diversidade que pode ser o ponto de virada neste processo eleitoral.

Sem a juventude, o amanhã da política brasileira é devastador, a diversa juventude brasileira não quer nada além de um estado democrático forte e inclusivo, que tenha eficiência nas negociações e que forneça serviços públicos de qualidade porque estamos cada vez mais críticos, sabemos cada vez mais do nosso valor e não vamos a lugar algum.

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