Texto construído entre o GT ODS, GT Gênero e o GT Bio. Aqui é parceria mores! Autores: Amanda Costa (São Paulo), Rahyra Simões (Alagoinhas), Larissa Yukie (Maringá), Ana Rosa Cyrus (Belém), Maria Eduarda Crist (Corumbiara), Victor Capellari (Poços de Caldas), João Alves (Acailândia), Isabelle da Silva (Brasília), Raquel Carvalho (São Paulo).
A data comemorativa da biodiversidade foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1922 e tem como objetivo conscientizar todas as pessoinhas que vivem no mundo sobre a importância da proteção de todas as formas de vida.
Todos nós somos parte da grande teia da vida (imagina a música do Rei Leão tocando de fundo), na qual cada existência está ligada à existência de inúmeras outras espécies. É como diz aquele ditado né “o bater de asas de uma borboleta pode provocar um tufão do outro lado do mundo”. Não podemos nos julgar superiores a qualquer outro ser vivo.
E qual o papel do Brasil no meio disso tudo? Somos considerados um país MegaBiodiverso, detemos:
- A maior diversidade de peixes e anfíbios;
- Entre 90 e 120 mil espécies de insetos;
- Mais de 45 mil espécies de plantas.
Contudo, toda essa riqueza natural encontra-se ameaçada devido a problemas como o aumento do desmatamento e da poluição. Dá pra imaginar como seria um mundo feio se só tivesse uns 5 tipos de plantas e 2 espécies de bichos??? Deus nos defenderay.
Atualmente, um exemplo que reflete esse processo é o de casos de animais silvestres em cenários urbanos, que vêm ganhando repercussão nas mídias. O que não se pensa é que, na maioria das vezes, esses animais estão apenas repetindo um ato que a nossa espécie realizou primeiro — invadimos o espaço dos outros animais e, por isso, agora recebemos suas visitas, muitas vezes à procura de alimento.
“Que tal pensar nisso antes de reclamar do número de insetos?” ?
O impacto da presença humana fica evidente ao se observar que, com a nossa ausência, a natureza está ocupando seu território novamente. Um dos casos que salta à vista é o dos golfinhos que ocuparam os canais de Veneza, por conta da paralisação dos passeios turísticos. Ainda assim, é preciso salientar que as mudanças ocorridas num nicho ecológico bem como sua estabilização são processos longos e delicados.
Diante disso, observa-se que todos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), de certa forma, estão relacionados à biodiversidade, sendo os ODS que tratam especificamente do tema o 14 e o 15. O ODS 14, no que tange à preservação da vida na água por meio da conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos. Já o ODS 15 trata sobre a conservação da diversidade da vida terrestre, visando a restauração de locais desmatados e a reversão dos danos causados ao meio ambiente.
Nos últimos 40 anos, a biodiversidade marinha foi reduzida pela metade, o que foi provocado, em grande parte, pela pesca predatória — um terço das reservas de peixe no mundo encontram-se super exploradas. Entre as metas do ODS 14, está a diminuição esta prática bem como o incentivo à pesca sustentável, que emprega técnicas de baixo impacto ecossistêmico. Assim, a situação fica equilibrada: o pessoal consegue comer um sashimi no final de semana e a quantidade de espécies de peixinhos permanece constante.
Outra meta do ODS 14 é a redução da poluição marinha. Não é segredo para ninguém que o lixo descartado nos oceanos degrada os ecossistemas marinhos e provoca lesões e até mesmo a morte de diversos animais. Você iria gostar de estar se deliciando de uma lasanha quando de repente um pedaço de plástico fica preso na sua garganta? Tenho certeza que não e, dica, os animais marinhos também não curtem isso. Sem falar que as espécies marinhas também são contaminadas por poluentes e ocorre então um fenômeno chamado de bioacumulação. “O que é isso?”, você deve estar se perguntando. Bem, eu explico: todas aquelas substâncias tóxicas que são descartadas nos oceanos ficam acumulados nos animais e depois você come esse chernopeixe, o que não faz bem para você e sua saúde NÃO agradece.
As florestas também são importantes ecossistemas. Abrigam mais de quatro quintos de todas as espécies terrestres, além de constituírem as principais fontes de ar e de água limpos. Estima-se que 1,6 bilhão de pessoas no mundo dependam delas para a própria subsistência, ameaçada pelo modelo predatório de exploração imposto pelo capitalismo.
Outro fator agravante é a mineração. Além de impactar as atividades agrícolas, acarreta o desequilíbrio da biota local e a dispersão de gases do efeito estufa. Esse problema decorre, principalmente, da ineficiência de políticas públicas; seja na fase da montagem de uma agenda capaz de atender às demandas ambientais, seja na fase de implementação.
Nesse contexto, não se poderia deixar de mencionar o papel das comunidades tradicionais. Seus saberes quanto à forma de sentir a natureza e de, sobretudo, sentir-se parte dela são fundamentais para a criação de cidades sustentáveis. Apesar disso, tais comunidades vêm sendo retiradas de seus territórios sob o pretexto de que estão impedindo os avanços da economia. Um estudo realizado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, entretanto, levantou que a manutenção de áreas de reserva gera três vezes mais retorno financeiro do que atividades agrícolas, como o cultivo de soja. Resumindo: as contas não batem e o argumento econômico é falho!
Por isso, é tão importante a demarcação de terras de comunidades tradicionais. Além de contribuírem para a proteção ambiental, esses grupos, em função de sua diversidade étnico-cultural, são guardiões do patrimônio histórico brasileiro e precisam ser respeitados. Movimentos e organizações da sociedade civil também têm refletido acerca da solução ideal para reverter esse quadro. Entre as principais medidas apontadas, é possível citar:
- A restauração dos ecossistemas;
- Revitalização dos rios, córregos e outros corpos hídricos;
- A territorialização da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável;
- A conservação e uso sustentável dos recursos naturais;
- A conscientização e sensibilização das gerações presentes e futuras sobre a preservação ambiental;
- A criação e o cumprimento de leis que garantam a preservação do meio ambiente;
- A defesa dos povos tradicionais e originários que a partir do seu modo de vida fazem a defesa dos nossos ecossistemas;
O Engajamundo também acredita no potencial criativo de toda sociedade, principalmente dos jovens, para mudar essa realidade. Em primeiro lugar, precisamos dimensionar nosso impacto na cadeia de produção e consumo. As escolhas que fazemos diariamente, optar por marcas ecológicas, por exemplo, são capazes de moldar mercados e, pensando em larga escala, demandar mudanças na maneira como se exploram os recursos naturais. Além disso, é nosso dever enquanto cidadãos, OCUPAR todos os espaços políticos possíveis. Acompanhar audiências públicas, noticiários, votar quando os projetos de lei forem para consulta pública e fazer tuitaço sim marcando aquele político incoerente! O potencial para construir o mundo que queremos está em cada um de nós.
