Blog, Clima, GTs Copa da Crise Climática

12 de junho de 2014

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É claro que nem aqui na Alemanha, nem em qualquer outro lugar do mundo se fala em outra coisa. Mesmo com a conferência sobre a maior crise que o planeta já enfrentou reunindo líderes políticos na pequena cidade de Bonn, os estabelecimentos, restaurantes e bares estão cheios de bandeiras do Brasil e sinalizando horários e promoções para o grande jogo desta tarde. Enquanto isso, jovens do mundo inteiro se desdobraram para marcar presença durante as negociações climáticas com o objetivo de pressionar nossos líderes políticos por mais ambição. A chamada é clara – a juventude quer que os países escolham de qual lado estão, daqueles que querem um futuro dependente de combustíveis fósseis ou sustentável e sem desigualdades.

Durante esta tarde, os jovens realizaram uma partida de futebol entre o “time carbono”, fortemente apoiado pela indústria de combustíveis fósseis e países associados a ela, que entrou em campo encarando massivas oposições populares do “time emissões neutras”. Tal apoio incluía principalmente a juventude e as futuras gerações, grupos de justiça climática ou ligados à saúde, iniciativas sustentáveis e renováveis.

Flick Monk, da UKYCC (UK Youth Climate Coalition), garante: “o time emissões neutras está fortemente endossado pela ciência, sociedade civil e particularmente os países afetados pelos efeitos das mudanças climáticas – e estamos abertos a novos integrantes!”

Infelizmente, aqui nas negociações oficiais o time carbono parece estar ganhando a partida até o momento. Austrália e Canadá formaram uma forte aliança e, além de estarem constantemente bloqueando as negociações com suas posições conservadoras, estão em busca de novos membros, como Reino Unido, Índia e Nova Zelândia. A Polônia, com sua matriz baseada em carbono e seu apoio às indústrias de combustíveis fósseis (vide patrocinadores da COP19, que aconteceu em Varsóvia), também não tem deixado a conversa fluir dentro da União Europeia. E sempre há o reforço de peso, Estados Unidos, é claro.

Porém, não estamos sozinhos. Países e grupos, como os Países Menos Desenvolvidos (LDCs, na sigla em inglês, que são 48 no total), o AILAC (seis países mais esquerdistas da América Latina), Suécia, México, Noruega e Alemanha são alguns dos que estão no nosso time. Por exemplo, a Dinamarca se comprometeu a se descarbonizar totalmente até 2050, o Butão reiterou seu compromisso de continuar sem emissões de carbono e a Nicarágua promete ter atingido 90% de energias renováveis em uso em 2020. Todas essas atitudes demonstram que ainda temos chance de vencer este jogo!

Enquanto isso, o Brasil está gastando absurdos 11 bilhões de dólares com a Copa – o que também demonstra que existem possíveis soluções financeiras para um investimento em larga escala se houver vontade política. Esses bilhões poderiam e deveriam ter sido gastos em investimentos em um futuro sustentável e sem desigualdades, que assegurasse o garantia dos direitos humanos em nosso país ao invés de sua violação. Vai, Brasil!

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