Blog, Rede Engaja Um (re)olhar sobre mulheres indígenas

8 de setembro de 2020

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Por Hamangaí Pataxó Hã-Hã-Hã-Hãe, Darlly Tupinambá, Itocovoty Pataxó Hã-Hã-Hãe, Val Munduruku, Rosy Munduruku, Jaciara Borari, Milena Raquel Tupinambá, Mary Munduruku, articuladoras do Engajamundo
Capa: Larissa Borari

A essência das mulheres indígenas traz consigo toda uma força e sabedoria ancestral na qual garante a continuidade de suas culturas, línguas e tradições, garantindo também a soberania alimentar em seus territórios .
Já nascemos guerreiras desde o útero de nossas ancestrais, por isso nós, mulheres indígenas somos a cura que a humanidade precisa.
As mulheres indígenas estão na linha de frente em defesa dos seus territórios.
Lutando para permanecer vivas
Lutando para permanecer dentro das universidades
Lutando pelos seus espaços que lhe é de direito.
E lutando principalmente contra um estado genocida que se silencia diante os nossos corpos e memórias.
O Brasil e o útero de diversas mulheres indígenas foi invadido de forma tão violenta que nos deixam cicatrizes de dores até os dias atuais.
Esse lado da história não está nos livros de histórias, muito menos retratados nas grandes pinturas que tentam invisibilizar essa tentativa de apagamento histórico dos nossos corpos.
Não é fácil ser mulher, e ser mulher indígena é vivenciar na pele o racismo, o preconceito e todo o processo de dominação colonial no qual nossos corpos são atravessados .
Infelizmente não é só o COVID-19 que vem matando nossos povos e mulheres indígenas. O feminicídio também vem matando diversas guerreiras e por isso se faz necessário urgentemente a demarcação dos nossos territórios e elaboração de políticas públicas com a nossa participação, que dialogue com as nossas vivências e especificidades .
Sonhamos que as jovens mulheres indígenas e futuras lideranças femininas de seus territórios tenham suas vozes escutadas.
Que os nossos corpos não sejam mais violados nem negligenciados pelo Estado brasileiro.
Que nenhuma mulher indígena perca sua vida por defender seu povo e floresta em pé .
O nosso poder de fala amedronta os covardes! Somos mulheres fortes, mulheres de grandes histórias e lutas. Somos parteiras, escritoras, mulheres medicinas, pesquisadoras.
Nossa floresta é nosso lar sagrado, assim como nós também somos sagradas!
Não nos olhe com desejo, não dirija falas impróprias. Não nos faça sentir menos mulher que todas as outras.

Nós somos a cura, somos sementes !

O dia 05 de setembro é instituído como o Dia Internacional da Mulher Indígena. A data foi criada em memória a Bartolina Sisa, a qual foi capturada e esquartejada pelos espanhóis durante a rebelião anticolonial de Túpaj Katari, no Alto Perú, em 05 de setembro de 1982. Essa data nos relembra a luta histórica das mulheres indígenas latinoamericanas e por isso é importante marcá-la.

“Tentaram nos enterrar mas não sabiam que éramos sementes “

BARTOLINA VIVE !


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