Blog, Clima, GTs O que é a Conferência de Clima em Bonn?

4 de junho de 2014

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E começaram hoje as negociações climáticas na Alemanha!

A 20ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas acontece em Lima, no Peru, em dezembro, mas, assim como em todos os anos anteriores, as negociações não se iniciam ai. Após o lançamento do 5º relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) – órgão científico da ONU, que alerta governos e sociedade sobre os impactos que já afetam agricultura, ecossistemas, oceanos, setores econômicos e saúde – as negociações intersecionais (como são conhecidas essas rodadas do meio do ano) chegam quentíssimas a Bonn.

O calendário até o fim de 2015 está cheio! Em setembro deste ano, durante a Assembleia Geral, acontece a Cúpula do Clima, convocada pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, onde é esperada uma enorme presença de Chefes de Estado. Em Lima, em dezembro, serão acertadas as diretrizes para a criação de um novo acordo climático, que será negociado e assinado na COP21, em dezembro de 2015, em Paris. Os países devem apresentar suas contribuições nacionais até março do ano que vem, indicando sua ambição para garantir que nossa geração e as próximas possam usufruir dos mesmos recursos naturais que usufruímos hoje.

É claro que o percurso para que isso aconteça é árduo e longo, e as negociações aqui em Bom poderão ser fundamentais para que alcancemos este objetivo. Amanhã já acontece a primeira reunião de alto nível, para a qual os ministros são convidados, e a sociedade civil está bastante descontente com a falta de presença de tantos ministros importantes. As discussões vão girar em torno da falta de ambição atual do Protocolo de Kyoto, de garantir um rascunho para o acordo de 2015, e de como ampliar os compromissos até 2020, quando este último entrará realmente em vigor. Outro compromisso esperado para os próximos 10 dias é de que os países desenvolvidos decidam “pagar a conta” e colocar dinheiro no Green Climate Fund (Fundo Climático voltado para o financiamento de ações em países menos desenvolvidos).

Há também uma enorme preocupação com o que é chamado de Adaptação, ou seja, a capacidade dos países de se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas e, com isso, garantir a proteção das comunidades mais vulneráveis aos efeitos esperados. O mecanismo de Perdas e Danos, que garante benefícios aos países que já estão sofrendo estes impactos, como as pequenas ilhas do pacífico, que começou a ser negociado em Varsóvia durante a COP19, no ano passado, também deve ter seu escopo fechado em Bonn.

Embora a presença de jovens latinos aqui esteja muito abaixo do esperado e necessário, considerando-se a conferência no Peru no fim do ano – por enquanto a única representante da juventude latino-americana é esta que vos fala – nossos países chegam à Alemanha em um contexto interessante. Enquanto EUA finalmente anunciaram uma meta de redução das emissões em 30% até 2030 e a China indicou um possível limite absoluto para as emissões a partir de 2016, os países latino-americanos chegam às negociações em diferentes estágios.

O Peru está se preparando para ser o próximo presidente da COP, e a preparação logística tem exigido muito do governo para garantir uma COP de união, e está cumprido com suas metas, assim como a Venezuela, que será a anfitriã da pré-COP social, com ampla participação da sociedade civil global em novembro. A Bolívia está coordenando o G77 – grupo que reúne 135 países em desenvolvimento que assumem posições comuns durante as discussões – e, portanto, tem uma grande responsabilidade e precisa se manter o mais neutra possível. No Chile, a recém-eleita presidente Bachelet aponta para um grande trabalho interno, com uma provável lei de áreas glacias e metas de redução.  Enquanto isso, Colômbia, Uruguai e Brasil vivem um momento de eleições presidenciais, o que deixa pendente a adoção de uma meta concreta por depender totalmente da entrada do próximo governo.

Os países da América Latina têm o potencial de liderar os rumos das negociações de Bonn até Lima – resta saber se é esta a intenção das delegações, ou se vamos preferir continuar só indo atrás dos mais desenvolvidos, conforme, infelizmente, indica a história de nossos países.

 


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