Me chamo Luci, baiana e articuladora do EngajaFeira, e junto com a Nayara do Comitê Facilitador (CF) passamos 10 dias imersas em Medellín, Colômbia, para conhecer o Grupo Internacional da Paz (GIP). Essa é uma das organizações que participam do projeto do Erasmus chamado “Learning Through Sports”. Foram dias que me senti mais parte do mundo como alguém que está aqui para o transformar!
Vou relatar como e quando surgiu essa oportunidade! Paulo e Bruno Berilli – meus amigos de Núcleo – foram as pessoas que mais me encorajaram e me mandaram tomar vergonha na cara, dizendo que eu tinha tanto potencial quanto todes que queriam ir. No Engaja, sempre fazemos reuniões online para decidir em coletivo quem será representante na determinada oportunidade. A reunião rolou e eu estava a própria ansiedade em pessoa. Tivemos 1 minuto pra dizer o porquê queríamos ir e quais as oportunidades que já tínhamos tido por meio do Engaja. A votação rolou e adivinha?! Corri para ligar a minha mãe e contar que eu havia sido selecionada para ir para a Colômbia! Aliás, não era pra menos, né? A menina que nunca tinha saído da Bahia e nem viajado de avião antes disso tudo, de repente, ia pra outro país sozinha.
No caminho para o país da Shakira, eu peguei os dois primeiros vôos e foi massa! No último, eu me deparei com a minha mala extraviada e sem falar espanhol ou inglês. A minha sorte é que meu amigo Bruno me salvou falando com a moça da companhia por uma ligação do whatsapp, já que o meu nervosismo não deixou sair ne
m o “portunhol”. No final, a minha mala tinha ido parar no Chile e eu fiquei quase dois dias sem roupa (kkkkkkkk tô rindo agora, mas na hora foi perrengue!). Ficou tudo bem já que a galera que recebeu eu e a Nayara me deu um super apoio e resolveram isso tudo pra mim.
No primeiro dia nós nos conhecemos e nos foi apresentado alguns ritmos e comidas típicas, além da história da Colômbia e do Narcotráfico. Experimentar coisas novas sempre é uma delícia né, gente? E foi muito massa essa forma de quebrar o gelo entre os países presentes dançando e comendo. Eu confesso que me sentia um pouquinho perdida as vezes por conta da língua, mas volta e meia pedia uma traduçãozinha rápida e a Nay (que aliás, foi uma das responsáveis por essa viagem ter sido tão incrível e me ensinava uma lição por dia) me deixava a par de tudo.
Nos dias seguintes tivemos uma reunião pra entender algumas metodologias do GIP e partimos pra rua para visitar algumas comunidades e, gente, cada canto daquele lugar me encantava. A Nay rio um monte de mim por que eu falava a frase “Meu Deus, que lugar mais bonitinho! Tô apaixonada” por minuto. Estar em contato com os jovens e as crianças (QUE SAUDADE!) também foi IN-CRÍ-VEL! Acho que eu sentia meus olhos brilharem, em vários momentos. Os dias eram meio corridos e aí, entre uma atividade e outra, andando nas ruas de Medellín, eu me pegava pensando em como eu fui parar ali. Eu sentia uma felicidade tão imensa por fazer parte do engaja e por isto me proporcionar aquele sentimento, aquela oportunidade. Entrar no engaja foi visto por mim no início como uma forma de salvar o mundo, mudar ele e depois dessa viagem eu percebi o quanto é o contrário que ocorre a cada ação que eu participo.
Estar em contato com pessoas que falavam línguas diferentes, diariamente, era cansativo e eu senti muita falta de aprender, no mínimo, aqueles dois idiomas, mas ao mesmo tempo era esperançoso ver cada um se esforçando um pouco pra se comunicar com todo mundo. Saímos a noite e, gente, eu não consigo explicar como eu me sentia, parecia totalmente fora da minha realidade mas eu estava lá! Todos os dias fazíamos muitas atividades, como jogar futebol, fazer “minga” (um tipo de ação que eles fazem unindo a comunidade local para revitalizar um espaço), ir à uma comunidade que virou ponto turístico mesmo depois de já ter sido considerada a mais perigosa da cidade, ver as pessoas que cresceram no meio do caos sendo guia turístico e contando aquela história, almoçar em casas de pessoas que nos receberam com o maior amor e com uma comida típica deliciosa, e um dia inteirinho só com dinâmicas com propósitos finais incríveis.
A partir dali, tivemos 3 dias completamente livres para turismo ou o que desejássemos. Visitamos cidades vizinhas, pontos turísticos da cidade e de vez em quando eu caía na real e o coração acelerava mais que o normal. O auge da viagem foi quando, em um dos três dias livres, visitamos uma cidade onde tinha um mirador que, com binóculo, podíamos ver boa parte da cidade. Ali em cima, com uma música deliciosa, um casaco que me cobria e um frio que eu acho que nunca tinha sentido, eu estava em uma janela com um binóculo olhando os aviões decolarem no aeroporto da cidade vizinha e meus olhos encheram de lágrima por ver onde eu tava. Eu, que vim do interior do interior, estava lá: em outro país com 19 anos, participando de um projeto no qual eu acredito que possa mudar o mundo. Ali o engaja me apresentou a sensação de sentir o mundo na palma das mãos. E não tem uma palavra que defina melhor essa viagem a não ser gratidão.
No ultimo dia, todo mundo conseguiu falar um “buen viaje”, “good trip” e “boa viagem”. E eu voltei com mais vontade ainda de mostrar o Engaja pro mundo e o quanto a nossa força pode mudar ele.
