por Ana Carla Marques e Rafa Ella Brites
Tradição centenária, no dia 8 de março é celebrado ao redor do globo o Dia Internacional da Mulher. O Engaja, assim como demais movimentos sociais e grupos de mulheres, estão atentos/as para o real significado desta data.
Um longo caminho foi percorrido para que este dia existisse. Muita gente acredita que a celebração iniciou em homenagem às mulheres que morreram numa fábrica têxtil, em Nova York, em março de 1911. Porém, o Dia da Mulher – Woman Day’s – já era comemorado nos EUA desde 1908, ou seja, três anos antes do incêndio. De fato, a tragédia ocorreu, 129 mulheres e meninas morreram no incêndio, a maior parte delas imigrantes, pobres e jovens, revelando condições de trabalho penosas, desumanas e com baixa remuneração (? que os homens). O ocorrido suscitou grandes mobilizações e marcou no calendário o mês de março como mês de celebração, porém, que já havia sido adotada em outros lugares do globo.
Mas então, qual foi a origem do dia Internacional da Mulher?
Na realidade, o dia 8 de março teve origem na Revolução Russa!
No fim do sec. XIX e início do sec. XX, intensificaram-se discussões sobre o sufrágio feminino, sobre a luta por direitos básicos para as mulheres, como: direito ao voto, à educação, ao divórcio, condições de trabalho dignas… momento de fortalecimento de movimentos de mulheres socialistas e operárias. Entre estas mulheres, Clara Zetkin <3. Em 1910, ocorreu em Copenhague a 2 Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, Clara, como líder, responsável por organizar as mulheres, ajudou as mulheres a se tornarem mais fortes e ir às tribunas falar sobre o papel da mulher na época, propôs um Dia Internacional da Mulher.
A partir de então, entre 1911 e 1914, o dia Internacional da Mulher foi comemorado em datas diferentes. Apenas em 8 de março de 1917, com a greve de mulheres tecelãs de São Petersburgo que impulsionou a Revolução Russa, o 8 de março tornou-se o dia oficial do Dia Internacional da Mulher. Na época, a Rússia mergulhada na 1 Guerra Mundial, colhendo frutos negativos – nas cidades reinava fome e miséria – cerca de 90 mil trabalhadores paralisaram. Entretanto, o reconhecimento de instituições internacionais – como ONU e Unesco – deu-se somente após 50 anos do ocorrido, e somente devido a pressão de movimentos sociais feministas.
E hoje, os movimentos continuam. Persistem em dar voz e vez às mulheres, às suas peculiaridades, aos seus anseios de mudança. Hoje temos espaço para expressar nossas pluralidades: negras, trans, pobres, gordas, altas, travestis, indígenas, periféricas, diverso-funcionais, trabalhadoras, intersexuais, baixas, neurodivergentes, estudantes e universitárias, lésbicas e de outras monodissidências, do campo e da cidade, jovens e idosas, decoloniais e, antes de tudo, feministas.
Entender os caminhos percorridos desta luta é um modo de resistir. É necessário impedir que o significado da luta de um processo emancipatório seja substituído por flores ou tons de rosa. Por isso, para este dia, mês, semanas, alguns conselhos: resista, marche, busque palestras, diálogo em grupo de mulheres nas universidades, nas empresas, nos bares… retome o significado político e não deixe que a história das mulheres que lutaram pelo 8 de março seja apagada.
