A infância é um período de descobertas, durante a qual o indivíduo ganha conhecimento sobre si mesmo e o mundo ao seu redor. É nessa fase que são criadas as primeiras impressões sobre a realidade, portanto ela é fundamental para o desenvolvimento pessoal. Entretanto, o que tem ocorrido em anos recentes é a aceleração desse processo e, consequentemente, destruição precoce da inocência devido à erotização de crianças, o que é bastante nocivo. As causas para esse fenômeno se encontram na sexualização presente na publicidade infantil e na maneira como, principalmente, jovens meninas são expostas na mídia. Além disso, é possível estabelecer um paralelo com a obsessão da sociedade com os padrões de beleza, que se estende até o universo infantil, o que é exemplificado pela pesquisa conduzida por Sarah Murnen, uma psicóloga social do Kenyon College em Ohio, nos Estados Unidos, que descobriu que 30% das roupas infantis nas principais lojas de departamento americanas tinham características de sexualização.
Além disso, ao incentivar os filhos a se vestirem ou adotarem comportamentos de adultos, ao encorajar a prática do namoro e demonstrações de afeto com estranhos, ao expor a criança precocemente a cenas de sexo e a músicas com conteúdo erótico, ao não monitorar os conteúdos aos quais as crianças têm acesso por meio das redes sociais e tecnologias, é evidente que a maneira como os adultos interagem com as crianças e as ações dos próprios pais também facilitam esse processo danoso.
A gravidade desse problema torna-se explícita ao se analisar casos como o de Valentina, participante do programa MasterChef Júnior em 2015, que, na época com apenas 12 anos de idade, virou alvo de assédio sexual virtual. Os comentários inapropriados sobre a menina geraram indignação nas redes sociais, o que incentivou o coletivo feminista Think Olga a lançar a #MeuPrimeiroAssédio, por meio da qual mulheres passaram a revelar a sua primeira experiência como vítimas de violência sexual. Outro escândalo mais recente surgiu quando a revista W Magazine colocou em sua capa a chamada: “porque a TV está mais sexy do que nunca?” e incluiu o nome de Milly Bobby Brown, a Eleven de Stranger Things, entre as atrizes adultas, sendo que a garota tem apenas 13 anos.
A pornografia pseudo-infantil retrata as mulheres adultas como se fossem meninas jovens?—?não nos atos sexuais que realizam, mas nos adereços usados ??e nas legendas ou textos que acompanham as fotos. A “infantilização” das mulheres na pornografia pseudo-infantil é realizada vestindo-as com roupas infantis, dando-lhes penteados infantis, fazendo com que eles façam poses de crianças com expressões infantis em seus rostos ou envolvendo-os com brinquedos para crianças. Uma forma predominante de pornografia, a infantilização também está se tornando cada vez maior.
