Blog, Gênero, GTs Já ouviram falar sobre a história do feminismo?!

26 de agosto de 2016

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Oi gente!!
Algumas semaninhas atrás (culpa do Pê que não postou) a formada-mestre-doutoranda(ufa!) em história Buca Seiffert veio explicar e contar pra gente mais sobre uma coisa muito interessante e relevante pra gente: A história do feminismo.

Bom, durante t-o-d-a a história da humanidade, existiram mulheres que indignadas com as situações a que eram submetidas na sociedade, se rebelavam. Um grande exemplo é a Olympe de Gouges, que em 1791 (muito tempo antes do movimento sufragista, que é considerado o início do feminismo por muitos) publicou a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, pra mostrar o fracasso que tinha sido a revolução francesa na busca de igualdade de gênero. Por causa disso, foi considerada uma traidora e executada.

Outra mulher que foi maravilhosa foi a Mary Wollstonecraft , uma filósofa e escritora inglesa, que até hoje é conhecida por defender o direito das mulheres. E olha só como essa família era maravilhosa: a filha dela, Mary Shelley, foi uma baita escritora que lançou nada mais nada menos do que Frankenstein.Mas todos esses foram casos individuais. De fato as mulheres começaram a se unir SÓ no século 19, com o Sufragismo.

Historicamente falando, se fala em “as três ondas do feminismo” e esse termo é usado por causa da forma cíclica e com picos que são formadas as ondas.
A primeira onda do feminismo é marcada e conhecida pelo movimento Sufragista. Ele surgiu na França mas logo se espalhou por vááários outros países europeus. A luta era por direitos políticos e elas realmente acreditavam que ao conseguirem o direito ao voto, todos os outros viriam por consequência. Mas não foi bem assim que aconteceu né meus amores??? E além isso, era um movimento sem base teórica nenhuma e que lutava pelos direitos das mulheres brancas e de classe média, ou seja, as mulheres negras continuavam sendo exploradas e sem acesso nenhum ao voto e a nenhum outro direito. O primeiro país a permitir o voto das mulheres foi a Nova Zelândia, quando ainda era colônia ingle­­­­­sa. ­A luta durou praticamente um século, até que vários países finalmente concedem o direito ao voto.

Os acontecimentos da primeira metade do século 20 vão influenciar diretamente a vida das mulheres dali pra frente. Com a primeira e segunda guerra mundial, as mulheres brancas e de classe média começam a trabalhar, tomando um lugar na sociedade que ainda não pertencia a elas. Porém, ao fim da Segunda Guerra, as mulheres foram obrigadas a voltarem pra suas casas, pra exercer o papel de mãe. Mas a partir daí as mulheres já não estavam contentes com o lugar submisso.

Com isso, a segunda onda do feminismo tem seu pico em 1968: O feminismo, assim como outros movimentos sociais se cansaram de opressão e começaram a pedir por igualdade social.  Foi principalmente desenvolvido nos EUA e França, onde as americanas enfatizam a luta e denúncia contra a opressão, e as francesas buscavam a valorização das especificidades da mulher.  Isso mostra gente, que apesar da luta feminista sempre se dirigir a um mesmo ponto, cada país e grupo social possui suas necessidades específicas e vai lutar de acordo com elas. A discussão de gênero só começa a acontecer e se consolidar nessa época, com base nos estudos de relações de poder e hierarquias sociais entre homens e mulheres. Muitos dizem que foi nessa época que foi retomada a discussão da Simone de Beauvoir, com o segundo sexo (#DICA QUENTE DE LEITURA, MIGS)
E é a partir desse cenário de um movimento feminista com várias necessidades diferentes, que a partir da década de 90 existe o fortalecimento da terceira onda do feminismo.  Com ela, o questionamento sobre as diversas formas de ser mulher. Então, com o feminismo negro, queer, lésbico, vai ficando cada vez mais claro que apesar de sermos todas mulheres, cada mulher sofre com o machismo de forma diferente e é nosso papel respeitar e abraçar essa diversidade.

No Brasil, a história do feminismo teve algumas(muitas) singularidades.  O movimento sufragista, que era super expressivo, conquistou o direito ao voto na era Vargas, em 1932. Na Ditadura Militar a participação de mulheres em guerrilhas era super expressiva, na luta pela redemocratização do país. Mas enquanto nos outros países questões como o aborto eram resolvidas, o conservadorismo religioso não permitia nem que fosse discutido.
Só em 1977 a lei do divórcio foi assinada. A Maria da Penha, completa 10 anos de existência. Ou seja, infelizmente o Brasil ainda caminha MUITO devagar nos direitos das mulheres, mas é só com luta e resistência que vamos mudar isso. É o nosso papel valorizar a memória de todas mulheres que já lutaram pra que hoje nós possamos ter voz, trabalhar, estudar e ser reconhecidas como cidadãs. Ainda tem muita luta pela frente, mas muito também já foi conquistado.

-Louise


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