Basta uma pesquisa rápida na internet para ver que os números relacionados à suicídios de jovens e adolescentes mulheres, quando a questão é a exposição ilegal de imagens, como vazamento de fotos íntimas através da ação de hackers ou ainda publicação de conteúdos privados por parte de homens e/ou mulheres próximas, têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Há algum tempo casos como esses ficaram bastante evidentes devido à exposição de fotos pessoais como da atriz Carolina Dieckmann, entre tantas outras mulheres famosas que tiveram suas privacidades violadas e expostas publicamente.
Para além da exposição ilegal, há o conceito de “pornografia de vingança”, que significa vazar vídeos, fotos, áudios ou qualquer outro conteúdo que apresente cena de nudez, ato sexual ou libidinoso de caráter privado e sem autorização da pessoa que participou. Essa é apenas uma das inúmeras situações de violências que as mulheres sofrem diariamente, mas, se tratando de adolescentes e jovens, que estão formando a sua imagem na sociedade, e buscam, ainda mais que os outros, serem aceitos, passar por esse tipo de situação pode ser fatal, por não acharem alternativas à vergonha de ter sua imagem vinculada a uma situação constrangedora, de completa vulnerabilidade e exposição pública, passam a sofrer com problemas sociais, psicológicos e se sentirem estigmatizadas pela comunidade, chegando até o suicídio.
Aqui encontramos uma questão muito delicada sobre a objetificação que as mulheres sofrem na sociedade, na qual, por vezes homens, que na maioria das vezes se caracterizam na figura de um atual ou ex-companheiro, se colocam no direito de expor momento íntimos, como uma forma de vingança ou simplesmente pelo prazer de degradar a imagem da mulher causando, não apenas constrangimento, dano moral e abalo emocional, mas também chegando a acarretar em danos à vida pessoal e profissional dessas mulheres, que ficam marcadas pelo resto de suas vidas.
