Biodiversidade, Blog, GTs Contribuição dos jovens para alcançar as Metas de Aichi para Biodiversidade

16 de dezembro de 2016

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biodiversidadeA Rede Global de Jovens pela Biodiversidade (Global Youth Biodiversity Network – GYBN) promoveu um evento paralelo durante a 13ª Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP 13 da CBD), em Cancún, no México, no dia 9 de dezembro. O evento teve como principal objetivo mostrar como os jovens de várias partes do mundo têm contribuído para alcançar o conjunto de 20 metas para a Biodiversidade, chamado de Metas de Aichi, até 2020. As Metas de Aichi integram o Plano Estratégico para a Diversidade Biológica, aprovado em 2010, na 10ª Conferência das Partes sobre Biodiversidade, que ocorreu em Nagoya, no Japão.
Neste evento, tive a oportunidade de contar um pouco sobre a minha experiência em dois projetos do Engaja sobre biodiversidade. Em setembro desse ano, participamos da Virada do Cerrado, um programa colaborativo da Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal (SEMA/DF) que busca dar visibilidade ao Bioma Cerrado por meio de atividades de educação ambiental. Na Virada, nós organizamos uma roda de conversa para discutir a importância do cerrado, os principais problemas que este bioma vem enfrentado, sua relação com os povos indígenas e projetos relacionados à sua conservação. Contamos com a presença de especialistas no tema, representantes dos povos indígenas e o poeta brasiliense, Nicolas Behr. Ainda no contexto da Virada do Cerrado, nós realizamos um flashmob sobre a campanha “1.5 Cº o recorde que não devemos quebrar” para falar sobre mudanças climáticas, que impactam de forma direta e indireta a biodiversidade do planeta.
Também compartilhei a nossa experiência durante a realização do projeto “Cadê o mato que estava aqui?”. Este projeto trata do Novo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) e foi criado por conta das diversas ações jurídicas para julgar se esse Código é constitucional ou não. Essa Lei concedeu anistia a quem desmatou ilegalmente até 22 de julho de 2008 e, consequentemente, reduziu de forma considerável os nossos espaços protegidos. Assim, nós do Engaja realizamos formações em escolas para demonstrar a relação entre a nova lei e a perda de biodiversidade, além de um seminário direcionado ao público universitário. Como produto final, nós vamos entregar um manifesto aos ministros do Supremo Tribunal Federal pontuando que a juventude é contrária à nova lei.
Esses projetos estão relacionados, principalmente, com as metas de Aichi 1, 7 e 14. A primeira meta de Aichi fala que até 2020, as pessoas deverão ter consciência do valor da diversidade biológica, bem como das ações que deverão realizar em prol da sua conservação e uso sustentável. As atividades realizadas durante esses projetos tiveram um caráter educativo e informativo e buscamos engajar os jovens nos assuntos relacionados à proteção da biodiversidade.

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GYBN na COP 13. Foto por João Elias de Brito

Por outro lado, acreditamos que o Novo Código Florestal não está de acordo com as metas de Aichi 7 (até 2020, as zonas destinadas à agricultura, aquicultura e silvicultura serão geridas de forma sustentável, garantindo a conservação da diversidade biológica) e 14 (até 2020, ecossistemas provedores de serviços essenciais, inclusive serviços relativos à agua e que contribuem à saúde, meios de vida, e bem-estar, terão sido restaurados e preservados, levando em conta as necessidades de mulheres, comunidades indígenas e locais, e de pobres e vulneráveis).

Também foi um ótimo momento para conhecer as iniciativas e projetos de jovens de vários outros lugares. Conhecemos os esforços que jovens do Caribe, da África, da Alemanha, do Peru, do México, do Japão e da Índia realizam para alcançar as metas de Aichi. Para saber mais sobre essas iniciativas, dá uma checada na página do GYBN: https://gybn.org/.

Texto pela articuladora do grupo de trabalho de biodiversidade, Julia Norat.


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