Por Waltinho, Articulador do Engaja Tapajós
Muito se fala por aí que a juventude não quer saber de nada, e que só se junta para fazer baderna. Mas a galera da Flona tem mudando essa concepção, mostrando que querem mudar sua realidade e que podem sim se unir em busca de soluções para o meio em que vivem.
Durante uma formação do programa “Engaja na Amazônia” um dos temas trabalhados pelos jovens, foi a entrada das “Geleiras” – barcos de pesca com grande capacidade de armazenamento, dentro do seu território. Essas “Geleiras” invadem suas áreas de pesca causando muito desperdício de peixe, que acaba sendo jogado no rio e resulta num grande odor em frente as comunidades.
Essa prática de pesca já é uma reclamação constante da população local, em particular nas comunidades que abrigam lagos e moradores do Rio Cupari, região onde a Flona não dispõe de base de fiscalização. Há ainda registro de outras irregularidades como a pesca no período de defeso.
Já existe uma percepção por parte das empresas que praticam a pesca através das “Geleiras”, sobre a diminuição das espécies e também da quantidade pescada. Sendo um ponto de bastante preocupação da juventude da região, tendo em vista que a pesca é um dos meios de sobrevivência das comunidades que vive as margens dos rios.
Alguns dos relatos mais citado pelos moradores da região “quando eu era criança meus pais sempre pegavam peixes em abundância, nós não precisávamos nos preocupar com a nossa alimentação, pois sabíamos que poderíamos pegar peixes a qualquer momento. Hoje você tem que escolher, se passa o dia no roçado ou tira um dia todo para procurar comida e ainda corre o risco de pegar pouco, só para o almoço ou jantar. ”
“A quantidade de pirarucu e tambaqui tem diminuído bastante por causa das geleiras que pescam os cardumes inteiros, impedindo sua entrada no Igarapé do Pini.” (Comunidade do Pini – DRP)
“Já chegaram a ver geleira com 23 bajaras. Fazem arrastão, mas só ficam com os peixes gordos e os outros desprezam, já mortos”. (Comunidade de Acaratinga – DRP)
“Na época do filhote, geleiras espalham malhadeiras de mais ou menos 1.200m e fazem arrastões e não deixam peixes para os comunitários”. (Com. Maguari – DRP).
Segundo o diretor de relações públicas e cultura da Colônia de Pescadores Z-20, Jucenil Coelho, o município tem passado por vários problemas em relação a este tipo de pesca por conta da presença de geleiras, inclusive no período do verão. “Elas não respeitam nossas regras, portarias, instruções normativas e acordos de pesca que nós temos. As comunidades sempre vêm trazer essas demandas para a gente levar até os órgãos de fiscalização”, destacou. (Fonte: G1)
A população da região elaborou um documento que busca acordar termos para evitar a escassez e um melhor uso do rio – o Acordo de Pesca. Esse acordo só permitiria a pesca de meia toneladas de peixes, além de tratar de outras questões relacionadas as regras que poderiam melhorar a relação entre as empresas de pesca e as comunidades. O objetivo é que o Governo do Pará conjuntamente com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) assinem o acordo, buscando atender as necessidades do povo ribeirinho.
Por isso, as juventudes da região do Rio Tapajós têm se atentado cada vez mais à essa questão. Compreendem que a assinatura do Acordo de Pesca não seria vantajoso para as empresas que deslocam suas embarcações para praticar a pesca no rio, visto que essas empresas não são da região que tem realizado essas atividades nocivas.
As estratégias foram pensadas, agora cabe ao Governo do Estado do Pará dar a devida atenção para esse caso.
Toda mobilização partiu da juventude que busca chamar a atenção para essa problemática também tentando sensibilizar a população das comunidades que ainda não se deram conta dos prejuízos que tem sofrido. A atividade contou com o apoio do Banana terra, Engajamundo e Coletivo Jovem Tapajônico.
